Cultura

Joaquin Phoenix, 'possuído' pelo Coringa

Estadão Conteúdo
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Começou a temporada do Oscar, mas quem espera por uma possível candidatura, e até vitória, de Brad Pitt como melhor ator em 2020 por "Era Uma Vez... Em Hollywood", de Quentin Tarantino, ou principalmente "Ad Astra - Rumo às Estrelas", de James Gray, já pode ir desistindo.

Joaquin Phoenix está um arraso e a transformação de Arthur em Coringa, no longa de Todd Phillips (em cartaz nos cinemas de Buru), é de cortar o fôlego. Tudo bem que a Academia não é muito chegada em premiar astros pop, exceto os pops que ela próprio elege e transforma em quetais. Joaquin já vem flertando com o prêmio há tempos, poderia até já ter ganhado, mas o seu palhaço do crime é realmente algo muito especial.

Desde Cesar Romero, nos anos 1960, o "Coringa" já teve várias representações na tela. Jack Nicholson, Heath Ledger, Jared Leto, as principais. Ledger chegou a ganhar, postumamente, a estatueta de melhor coadjuvante pelo filme de Christopher Nolan sobre o cavaleiro das trevas.

"Coringa", o filme, não é exatamente um blockbuster, nem uma aventura de super-heróis, mas mostra a construção do vilão. Coringa não tem o Batman, mas tem Bruce Wayne, e o descontrole final, o caos do mundo metaforizado pela orgia destruidora dos palhaços, leva à tragédia fundadora do herói das HQs. É um drama, e fortíssimo, e isso talvez avalize as chances do filme no Oscar, já que a Academia, vale ressaltar, não gosta muito de dar prêmios para blockbusters.

Toda a questão colocada em "Coringa" é basicamente uma - Joaquin Phoenix é genial no papel, mas até que ponto se trata de um bom ou mesmo grande filme? Para criar seu vilão monstruoso, o diretor Phillips retrata o estado do mundo para chegar a essa ausência de esperança que, de alguma forma, gera o que se pode definir como semente do mal. Talvez sejam conceitos muito genéricos e até fáceis, talvez a economia e a política, e a tragédia dos refugiados e imigrantes necessite de focos mais acurados, mas o que está em jogo é o "outro". Uma das tragédias desse mundo moderno pode estar na crise da palavra, ou então nessa dificuldade, cada vez maior, que as pessoas enfrentam para se abrir para o outro.

Nesse sentido, "Coringa" e "Encontros", o longa do francês Cédric Klapisch, são como as duas faces da mesma moeda. Um filme solar e outro lunar. "A feel good movie", como dizem os norte-americanos, para fazer o público se sentir bem, e a viagem ao coração das trevas.

RECORDE QUEBRADO

"Coringa" alcançou um novo recorde nas bilheterias dos EUA. Apesar de controvérsias e preocupações com segurança, o filme arrecadou US$ 93,5 milhões no fim de semana passado e agora é o maior lançamento de todos os tempos no mês de outubro. As vendas superaram tranquilamente o recorde estabelecido no ano passado por "Venom", da Sony, que arrecadou US$ 80 milhões.

"Coringa" conquistou uma série de manchetes por apreensões de que a história de um assassino com problemas psiquiátricos poderia incitar violência. As polícias de Nova York e de Los Angeles aumentaram presença de oficiais nos arredores de cinemas e a entrada de pessoas com fantasias e máscaras faciais foi proibida.

A indústria começou a adotar estas ações após ataque em massa a tiros em 2012 em Aurora, no Colorado, em uma exibição de "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge". Doze pessoas morreram e 70 ficaram feridas.

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