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'Mão na massa': alunos erguem bloco

Rafael de Paula
| Tempo de leitura: 3 min

Poder vivenciar, dentro da própria faculdade, grande parte dos desafios que o mercado de trabalho impõe para uma profissão é uma boa experiência para qualquer aluno. Em Bauru, 35 estudantes dos cursos de Engenharia Civil e de Arquitetura e Urbanismo das Faculdades Integradas de Bauru (FIB) terão tal vivência em uma importante missão dada pela gestão da instituição: planejar, projetar e fazer o acompanhamento das obras de construção de um novo bloco no câmpus da faculdade. O local vai abrigar novos vestiários, banheiros, refeitório, cozinha e laboratórios de ensino.

Segundo o diretor administrativo da FIB, José Ranieri Neto, esse desafio é inédito na região e também uma necessidade que vem dos próprios cursos envolvidos, que exigem estágios por força de lei. "É um canteiro de obras experimental. A ideia é proporcionar, de forma ampliada, a parte prática dos cursos e facilitar o estágio obrigatório. O aluno poderá fazer tudo aqui dentro da faculdade. Como tínhamos essa necessidade de ampliação, decidimos juntar essas duas frentes", explica Neto.

De acordo com a FIB, os alunos estão envolvidos com a construção desde a concepção até a entrega da estrutura para instituição. "Tudo, claro, com o acompanhamento dos professores", salienta o diretor.

A expectativa é que a entrega ocorra em julho de 2020. Serão 600 metros quadrados de obras e os alunos são responsáveis pelos projetos arquitetônico, estrutural, hidrossanitário, elétrico e orçamentário.

INTEGRAÇÃO

A construção do novo espaço, que ficará atrás do Bloco E, é também uma oportunidade de integração entre disciplinas e cursos. "A Engenharia e a Arquitetura andam juntas no mercado de trabalho. Quando se tem uma obra, nada mais perfeito do que proporcionar essa integração entre disciplinas e áreas. São experiências que vão fazer a diferença na vida desses estudantes", explica a Paula Valéria Coiado Chamma, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo.

Segundo ela, as noções de construções, por exemplo, que são comuns no curso de Engenharia, poderão ser acompanhadas e vivenciadas de perto pelos estudantes de Arquitetura. "Todos vão ver juntos a parte da hidráulica, da elétrica e formas de construção. É um casamento muito bom das duas áreas", destaca.

Para tocar o serviço, os alunos foram divididos em grupos, como se fossem pequenos escritório profissionais. "É a teoria e a prática no nível real acontecendo, dinâmica e incorporada aos alunos. É um laboratório vivo dentro da FIB, com a compatibilização de todo o trabalho", complementa Guilherme Donizeti da Silva, professor da graduação de Engenharia.

APRENDIZADO

O aprender na prática é comemorado pelos estudantes. Daniel Sarchiolo, graduando em Arquitetura, celebrou a iniciativa pela oportunidade de trocar conhecimento e ver de perto tudo sendo construído com o seu esforço. "Aqui, vamos conseguir ver o nosso desenho tomando corpo realmente. Não é algo fictício, uma maquete, por exemplo. Eu vou conseguir acompanhar tudo até o final. O melhor são os desafios que acontecem de forma real", diz.

Para Thiago Rios, que está na reta final para pegar o diploma de engenheiro civil, o projeto da FIB agrega um aprendizado diferencial. "Muitos de nós não conseguimos fazer um estágio por conta do trabalho e da faculdade. Essa iniciativa é uma grande oportunidade para aprendermos no canteiro de obras. Estou fazendo estágio já, mas é em um escritório de engenharia e não percebo muito essa rotina de obra, que é importantíssima para todos nós", complementa.

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