Beirute - Rebeldes sírios apoiados pela Turquia avançaram para Ras al Ain no nordeste da Síria no sábado, mas não ficou claro até que ponto, com a Turquia dizendo que o centro da cidade havia sido tomado e forças lideradas pelos curdos afirmando que contra-atacavam.
A batalha por Ras al Ain aumentou quando a Turquia deu seguimento a uma ofensiva de quatro dias contra uma milícia curda síria e cruzou a fronteira do país vizinho, apesar dos protestos dos Estados Unidos e da União Europeia e dos avisos de possíveis sanções, a menos que Ancara desistisse.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a incursão da Turquia estava causando "grandes danos" nas relações com seu aliado da Otan. O chefe da Liga Árabe denunciou a ofensiva e a Alemanha disse que estava proibindo a exportação de armas para a Turquia, aliada da Otan.
O ataque turco causou alarme internacional por causa do deslocamento em massa de civis e pelo risco de provocar o ressurgimento de uma insurgência do Estado Islâmico na Síria, com o aumento da possibilidade de militantes do EI escaparem das prisões curdas.
A administração liderada pelos curdos no nordeste da Síria disse que quase 200.000 pessoas foram desalojadas até o momento pelos combates, enquanto o Programa Mundial de Alimentos da ONU afirma que esse número chega a mais de 100.000 apenas nas cidades de Tel Abyad e Ras al Ain.
O objetivo do ataque, segundo declarações da Turquia, é estabelecer uma zona segura dentro da Síria para reinstalar ao menos parte dos 3,6 milhões de refugiados de guerra sírios que estão hoje no país. O presidente turco, Recep Erdogan, ameaçou enviá-los para a Europa se a UE não apoiasse seu ataque.
Ancara iniciou seu ataque contra a milícia YPG, que diz ser um grupo terrorista que apóia insurgentes curdos na Turquia, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, retirou algumas tropas americanas que apoiavam as forças curdas na luta contra o EI.
"O Exército Nacional (rebelde sírio) assumiu o controle do centro da cidade (Ras al Ain)", disse um alto funcionário da segurança turca. "As inspeções estão sendo conduzidas em áreas residenciais. Estão sendo feitas buscas por minas e armadilhas."
O Ministério da Defesa da Turquia disse que o Exército Nacional Sírio rebelde apoiado pela Turquia havia sido controlado, com autoridades postando fotos mostrando ruas desertas e rebeldes sírios pisando em bandeiras da milícia curda.
Mas as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos, nas quais o YPG é o principal elemento de combate, negaram a perda do centro de Ras al Ain. Marvan Qamishlo, porta-voz da SDF, disse que seu lado só realizou um "retiro tático" em resposta a horas de pesado bombardeio turco.