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O jazz vibrante de Arturo Sandoval


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Um dos maiores focos de espetáculos de jazz na agenda anual do Sesc começa nesta quarta (16). O Sesc Jazz, uma versão ampliada do que foi por anos o projeto Jazz na Fábrica, será aberto pelo trompetista e pianista cubano Arturo Sandoval, às 20h30. Em Bauru, a programação, que segue até domingo.

O trompetista e pianista cubano Arturo Sandoval, é uma das maiores referências em seu instrumento, uma das vias por onde passa o jazz cubano do final dos anos 1970 com a formação da Orquestra Cubana de Música, a gênese do grupo Irakerê, de Chucho Valdés. Sandoval tem sua importância aferida pela música e pela história de vida, com um episódio dramático de deserção com a ajuda do trompetista norte-americano Dizzy Gillespie. 

O norte-americano, deslumbrado com o cubano, o levou para integrar sua banda em 1990, em turnê pela Europa. Arturo decidiu não voltar mais a Cuba e Gillespie o ajudou, usando seus contatos na embaixada norte-americana em Roma para seu ingresso nos EUA. Sandoval se naturalizou norte-americano em 1998.

Sua vida acabaria se tornando um filme em 2000, quando foi lançado For Love or Country, com Andy Garcia no papel do jazzista, e sua técnica atingiria níveis impressionantes que permitiria chegar às regiões mais agudas de um instrumento já agudo por natureza, imprimindo uma velocidade vibrante. 

Sobre o que prepara para mostrar no País, Arturo se sai como um típico jazzista. O improviso é quem vai dar as cartas. "Eu tenho uma das melhores bandas em turnê neste momento, então estamos realmente nos divertindo no palco e essa é a parte mais importante. Vamos tocar muitas peças diferentes, não tenho o repertório exato, mas sei que será divertido."

A banda à qual se refere é, de fato, um timaço, com John Belzaguy (baixo), Tiki Pasillas (percussão), Michael Tucker (sax), Johnny Friday (bateria), Maxwell Haymer (piano) e William Brahm (violão e guitarra). Um grupo grande e quente, como mostram suas apresentações anteriores.

Arturo Sandoval conta com dez prêmios Grammy e tem um largo reconhecimento na comunidade acadêmica. Ele responde então se, depois de 21 anos em território norte-americano, sente-se mais um músico dos EUA ou de Cuba. "Eu sou um cidadão norte-americano apenas desde 1998, quando isso me foi concedido. Creio que minha música não reflete um país específico."

É impossível não lembrar de Dizzy Gillespie nas conversas com Arturo Sandoval. Seu padrinho artístico, uma das maiores influências ao lado de Charlie Parker e Clifford Brown, ganha sua consideração: "Dizzy era meu mentor e sempre seria meu herói e meu irmão. Ele salvou a minha vida, e quando alguém mostra que o amor é incondicional, você o carrega para sempre em seu coração e em sua alma".

O mesmo traço musical que o colocou nas alturas também trouxe críticas. A velocidade de Arturo, assim como seus ataques nas regiões mais altas, já foi considerada excessiva. E o que ele pode dizer a respeito é algo esperado: "Eu não me concentro nos críticos, mas na prática, na execução, na composição, na aprendizagem e no crescimento musical. Às vezes, toco notas altas e, em outras, elas soam como um baixo; às vezes toco um bebop e, em outras, a mais gentil das baladas. O que faço não é sobre os críticos, é sobre música".

Serviço 

Sesc Jazz, de 16 a 20/10, no Sesc Bauru. Nesta quarta (16), o trompetista e pianista cubano Arturo Sandoval sobe ao palco às 20h30. Os ingressos variam de R$ 15,00 a R$ 50,00. Classificação indicativa: 16 anos. Informações: (14) 3235-1750

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