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Imóveis interditados quase dobram

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Em meio às discussões sobre o desabamento de um prédio residencial em Fortaleza, um alerta em Bauru. Com reforço nas fiscalizações, a Defesa Civil da cidade já interditou, neste ano, quase o dobro do número de imóveis que tiveram ordem de desocupação em todo o ano passado. De janeiro de 2019 até esta quarta-feira (16), foram fechadas 57 edificações, em sua maior parte residências localizadas na região central e bairros periféricos do município.

No ano passado inteiro, tinham sido contabilizados 31 interdições. E o número de vistorias técnicas em imóveis, após denúncias ou solicitações, também aumentou: saltou de 485 para 516 registros.

Coordenador Defesa Civil, o coronel Rogério Gago atribui o aumento ao reforço na equipe de agentes do órgão, após a contratação de mais dois servidores nos últimos quatro meses. Hoje, são seis agentes atuando nas fiscalizações, com eventuais riscos detectados sendo sempre referendados por laudos de um engenheiro.

"Estamos com um olhar mais crítico com relação às edificações de Bauru, principalmente quanto às que funcionam para a reunião de pessoas", detalha. Porém, segundo Gago, o maior volume de interdições em 2018 e 2019 teve como alvo imóveis muito antigos da região central da cidade ou residências de bairros periféricos, erguidas sem a observância de normas técnicas de segurança da construção civil.

Entre os problemas mais frequentemente detectados, neste último caso, estão muros de arrimo mal projetados, construídos sem acompanhamento técnico de um engenheiro habilitado. Outra ocorrência comum são infiltrações de água, que podem solapar a base da edificação, levando ao risco de colapso da estrutura.

PREVENÇÃO

Como, normalmente, estas condições significam perigo para a segurança das pessoas, os imóveis acabam sendo interditados. Foi o que ocorreu, por exemplo, em abril deste ano com a Emei Isaac Portal Roldan, no Núcleo Octávio Rasi. Devido à possibilidade de queda da laje da creche, que cedeu vários centímetros após infiltrações, as 166 crianças atendidas na unidade precisaram ser transferidas para a Emei Gilda dos Santos Improta, no Núcleo José Regino.

"Atualmente, são cinco escolas municipais totalmente ou parcialmente interditadas (leia mais ao lado). Nosso principal objetivo é evitar que ocorra em Bauru situações graves como a que tivemos em Agudos", diz o coordenador da Defesa Civil, referindo-se ao desabamento do telhado de uma escola infantil, em abril do ano passado, que deixou vários alunos e funcionários feridos.

Já quanto às construções antigas do Centro, Gago cita que não é raro detectar inconformidades como vergalhões expostos em colunas de sustentação das estruturas. Foi um problema grave verificado, inclusive, no prédio residencial que desabou em Fortaleza (CE) nesta terça-feira (15), deixando ao menos três pessoas mortas.

SINAIS

O coordenador da Defesa Civil alerta que alguns sinais, como rachaduras nas paredes, afundamento do piso e ferragem de colunas de sustentação aparente, podem indicar riscos para a segurança do imóvel. Para solicitar uma vistoria, o munícipe deve requerer agendamento no Poupatempo.

Os casos mais graves, contudo, podem ser denunciados diretamente pelo telefone (14) 3235-1169. Já em situações de emergência, a recomendação é recorrer ao Corpo de Bombeiros, por meio do 193.

Além de realizar a fiscalização, a Defesa Civil também faz, posteriormente, visitas periódicas para acompanhar o processo de eventual adequação do imóvel, que pode ser exigida dos proprietários. Nos casos de interdição, quando os moradores não têm condições de buscar abrigo na casa de parentes ou locar outra residência, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) avalia a possibilidade de inclusão da família no programa de aluguel social.

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