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Crise no PSL: governo troca líder

Estadão Conteúdo
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Brasília - O Palácio do Planalto já formalizou no Diário Oficial da União (DOU) a indicação do senador Eduardo Gomes (MDB-TO) na função de líder do governo no Congresso Nacional. A mensagem do presidente Jair Bolsonaro que envia o nome ao Legislativo foi publicada em edição extra do diário desta quinta-feira, 17. Escolhido mais cedo para o posto, Eduardo Gomes assume a função no lugar da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

A troca já havia sido confirmada na tarde de ontem pelo porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros. A situação de Joice ficou insustentável no governo na quarta-feira, após a deputada assinar uma lista de apoio à permanência de Delegado Waldir (GO) na liderança do PSL na Câmara. Bolsonaro articulou para que um dos seus filhos, o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), assumisse o cargo.

DERROTA DO GRUPO DO PRESIDENTE

No entanto, o grupo do PSL ligado ao presidente foi derrotado nesta quinta-feira, quando o deputado Delegado Waldir foi confirmado como líder da bancada na Câmara pela Secretaria-Geral da Mesa da Casa. Waldir pertence ao grupo do PSL que é ligado ao presidente da sigla, Luciano Bivar (PE).

Joice foi escolhida líder do governo em fevereiro, pela indicação dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e tinha bom trânsito com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que no início do governo era responsável pela articulação política. Ela vinha perdendo espaço, no entanto, desde que a articulação foi repassada para a Secretaria de Governo, em agosto. O ministro Luiz Eduardo Ramos, titular da pasta, deu preferência ao líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO).

PROJETO DE EMBAIXADA ABANDONADO

A atuação do presidente Jair Bolsonaro para colocar o seu filho, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), na liderança do PSL na Câmara, (onde foi derrotado) deixou em suspenso a possibilidade de o deputado assumir a embaixada do Brasil em Washington. O presidente indicou o filho para o cargo há três meses, mas até agora a intenção não foi formalizada.

Segundo avaliações de pessoas próximas ao presidente, a crise do PSL se tornou uma espécie de "saída honrosa", pelo menos por ora, para Eduardo abandonar o projeto de ser embaixador.

Auxiliares de Bolsonaro afirmam que, apesar da peregrinação, Eduardo não conseguiu convencer um número suficiente de senadores a apoiarem seu nome - o que poderia levar a uma derrota emblemática para o governo. Aliados minimizam a culpa do parlamentar no insucesso e colocam a conta no atraso da discussão da reforma da Previdência e nas dificuldades enfrentadas pelo governo com a liberação de emendas na Casa.

Outro ponto discutido com o presidente seria o futuro político de Eduardo, visto hoje pela rede bolsonarista e por pessoas próximas como a "escolha natural" como sucessor político do pai ante aos nomes dos filhos "01", o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), e o "02", o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Em entrevista na Câmara  Eduardo admitiu que o cargo no exterior havia ficado em segundo plano diante da crise no partido. "Todos os temas como a embaixada e a viagem para a Ásia são temas secundários. A gente está aqui para cuidar dos nossos eleitores, meu foco é ajudar o país", afirmou o filho do presidente logo após a bancada bolsonarista indicar seu nome para a liderança do PSL na Casa.

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