Reflexão e Fé

A tecnologia que nos molda


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Cada geração experimenta a vida através de suas próprias lentes. A geração Baby Boomers tornou-se a geração de pessoas que passaram a viver para trabalhar, enquanto os Millennials são vistos como quem trabalha para viver. Assim, cada geração a partir do século 20 tem sido marcada por suas realidades peculiares: músicas, tragédias, ícones, programas de televisão, heróis e, acima de tudo a tecnologia. Com isso, se formos observadores veremos que a tecnologia tem moldado as últimas gerações.

Os historiadores Neil Howe e William Strauss mostraram em sua "pesquisa geracional" como cada geração tem reagido diante das inovações tecnológicas. Em geral a geração anterior quer ser diferente dos considerados velhos. Há um desejo nato de rompimento com a geração anterior. Segundo os pesquisadores, por exemplo, os Millennials tenderam a dizer á Geração X: "Vocês sãos legais, mas nós somos mais". Percebe-se que a geração atual sempre deseja corrigir a geração anterior. Dessa forma, cada geração acaba, sempre, dando boas-vindas a uma nova tecnologia. As eras modernas e pós-modernas representam períodos marcados por dispositivos inovadores que mudaram a forma da vida. Segundo Howe e Strauss, hoje, quatro gerações atuam na sociedade: os Baby Boomers (1946-1964), a Geração X (1965-1982), os Millennials (1983-2000) e a Geração Z (2001-2018). Tecnologias marcantes fizeram parte de cada uma dessas quatro gerações. Por exemplo a televisão e os discos de vinil foram marcantes para os Baby Boomers. Fita cassete, CDs, videogames e Walkman ganharam evidência na geração X. Já os Millennials foram impactados pela Internet, iTunes, iPods e celulares. E a geração Z vive a intensificação dos Smartphones, streaming de música, mídias sociais e aplicativos. Então, ao longo do tempo a tecnologia evoluiu e tem expandido a sua influência nas pessoas.

É fácil observar que nas gerações anteriores a tecnologia não era tão abrangente, mas a cada nova geração ela foi tornando-se onipresente, infiltrando-se nas casas e nas vidas com mais facilidade. Inclusive ela se tornou privada, porque, por exemplo, antigamente as famílias tinham um rádio ou uma TV centrada na sala da casa, era um equipamento comunitário; se alguém estava ao telefone, todos da família sabiam disso. Mais tarde, adquirimos computadores que ainda ficavam em um local fixo e todos viam o que estava na tela. Mas a medida que o tempo avançou, cada um dos nossos dispositivos foi se tornando mais privado, pessoal e menor. Rapidamente, as pessoas passaram a "se esconder" atrás de seus equipamentos pessoais. Nas famílias de hoje, todos nós temos nossos próprios smartphones e ninguém mais sabe o que está acontecendo com o outro. A tecnologia caminhou do público para o privado, do compartilhado para o pessoal.

Finalmente, a tecnologia tornou-se tão poderosa que somos dependentes de seu produto - é algo central para a nossa comunicação, fotos, notícias, atualizações, jogos, entretenimento, música, compromissos e horários. Nosso cotidiano é extremamente impactado pela tecnologia. Algumas propagandas de tecnologia chegam a dizer que seu produto é como um suplemento necessário para a existência. A geração Z avalia a tecnologia na mesma categoria do ar, água e alimento. Logo, já que é um caminho sem volta, os pais que ainda lideram as gerações emergentes, devem ser intencionais na orientação do controle tecnológico. Aos pais ainda cabe ensinar os filhos em reconhecer a diferença do que é eterno e essencial; por exemplo, uma vez que a tecnologia se tornou privada, os pais devem trabalhar arduamente para que os relacionamentos interpessoais não sejam aniquilados no núcleo familiar, afinal isso seria de uma tolice fatal. Provérbios do rei Salomão alerta: "É natural que as crianças façam tolices, mas a correção as ensinará a se comportarem" (22.15 - NTLH). Ainda a pedagogia deve trabalhar no sentido de preparar nossos alunos a se tornarem adultos autossuficientes e emocionalmente estáveis, sob a orientação de não permitirem que as novas tecnologias os dominem a negligenciar a importância das pessoas, e dessa forma não sejam listados nas estatísticas dos seres humanos com perturbação mental causado pelo vício da tecnologia. É isso aí, gerações estão vindo, devemos continuar tentando sermos humanos segundo a imagem de Deus.

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