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Preferência infantil estimula demanda


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Especialistas destacam outros dois movimentos: a consolidação da uva sem semente mesmo em época de crise financeira e a liderança disparada do Nordeste nesse setor. De janeiro a junho deste ano, a participação de uvas sem sementes brasileiras foi de 6,5 mil toneladas; a de importadas, 2,1 mil. Em 2011, a relação era de 1,1 mil toneladas frente a 7 mil das estrangeiras.

Comerciantes também atribuem a demanda aquecida à preferência infantil. "As crianças só querem sem semente. Além disso, todo o mundo quer mamão e abacaxi descascados, e a uva sai 'cumbucada' em caixas, não mais solitárias", diz Isanildo de Almeida, vendedor da Difar, empresa de importação e exportação de frutas. Ele destaca queda na procura da red globe, uva rústica e vermelha, pela presença de sementes.

Em 2007, a uva sem semente nacional era 7% da comercialização na Ceagesp. Passou a 32% em 2018, e a previsão para 2019 é de mais aumento. Mas se por um lado o consumidor dispõe de mais oferta da fruta em feiras e supermercados, por outro o produtor vive um ciclo de menos lucro em 2019.

O fato de haver mais fruta no mercado é porque ela não tem qualidade para exportação - o Brasil vende a 17 países, sendo Holanda e Reino Unido os mais expressivos. O custo de produção aqui é de R$ 4 por quilo. O preço médio ao revendedor é de R$ 5,50, e chega ao consumidor final por R$ 10 o quilo. Se exportada, a margem do produtor aumenta de 20% a 30%.

Desde os anos 1990, a Embrapa trabalha para desenvolver uvas com características similares às que invadiram as gôndolas da Europa e dos EUA. Um que contribuiu para a evolução da escala do setor é a parceria entre a Embrapa e os empresários.

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