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Morte de PMs: Águida não foi ferida

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A cabo Águida Heloísa Barbosa Rodrigues, única pessoa que restou viva no caso que resultou nas mortes do sargento Luciano Agnaldo Rodrigues e do cabo e judoca Mário Sabino Júnior, na última sexta-feira (25), em Bauru, não foi atingida por disparos de arma de fogo. A informação é do promotor estadual João Henrique Ferreira, que faz o controle externo das atividades da Polícia Judiciária Militar e acompanha as investigações do inquérito em andamento.

Nesta quarta-feira (30), ele desmentiu os boatos que circularam ao longo da semana na cidade, garantindo que foi informado pelo Comando da PM de que a policial militar, viúva do sargento Agnaldo, não sofreu ferimentos. Até o momento, não há confirmação do local onde ela está.

Segundo Ferreira, é possível que, até por motivo de segurança, Águida esteja recolhida administrativamente em alguma unidade da PM em Bauru. Ontem, o JC procurou a policial em sua residência, mas ninguém atendeu ao interfone. Os vizinhos preferiram não fornecer informações sobre ela.

A Polícia Civil, que instaurou inquérito próprio para apurar o caso, tentou intimar a mulher no seu endereço residencial, mas ninguém foi encontrado. Segundo o promotor, assim que a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) solicitar a presença de Águida formalmente ao Comando da PM, ela se apresentará para prestar os esclarecimentos necessários.

PEÇA-CHAVE

Considerada peça-chave para elucidar o que ocorreu na noite em que o sargento Agnaldo e o cabo Sabino foram mortos, Águida já prestou depoimento no âmbito da Polícia Judiciária Militar. O teor da versão apresentada, contudo, permanece sob sigilo.

"Somente quando os laudos periciais ficarem prontos será possível esclarecer a participação dela nesta ocorrência. Sem as provas técnicas, não é possível chegar a qualquer conclusão", frisa Ferreira, que defende a legalidade da manutenção das investigações na esfera militar.

JURISPRUDÊNCIA

Já o titular da DIG, Cledson Nascimento, afirma que a jurisprudência assegura a condução das apurações pela Polícia Civil, com tramitação na Justiça comum, quando o crime não possui relação com a atividade militar e não ocorreu nas dependências de uma unidade da PM. Nesta quarta-feira, o delegado protocolou, junto ao Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4), pedido de cópia integral do inquérito militar que apura o caso.

"Assim, será possível ter acesso aos depoimentos que já foram dados e decidir se será necessário reinquirir alguém para sanar dúvidas. Também mandei mensagem ao Instituto de Criminalística e ao Instituto Médico Legal, para que me retransmitam os laudos periciais necroscópicos e do local, assim que ficarem prontos", detalha.

Diante de uma eventual dificuldade para ter acesso aos documentos, a Polícia Civil informa que poderá recorrer ao Judiciário, quando terá de ser atribuída a um juiz de uma das varas criminais de Bauru a decisão sobre qual é a entidade competente para dar prosseguimento às investigações.

Nesta quarta-feira, a reportagem solicitou entrevista com o Comando do CPI-4, contudo a assessoria de imprensa da PM em São Paulo emitiu uma nota reiterando que o inquérito policial militar segue em sigilo e lamentando o caso.

 

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