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'Deu um beijo em mim e foi embora'

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Um dia antes do crime que chocou Bauru, o sargento Luciano Agnaldo Rodrigues, 50 anos, foi à casa da mãe, Alayde Taranto Buque, para visitá-la. Ainda em luto diante da morte trágica do filho, a mulher, de 75 anos, contou ao Jornal da Cidade que o filho estava mais calado que o habitual.

"Ele não reclamou de nada, mas senti que ele estava triste. Foi uma visita rápida. Era quinta-feira. Ele sentou no sofá, falou que estava passando só para dar um beijo. Deu um beijo em mim e foi embora", relembra.

Na noite do dia seguinte, 25 de outubro, o sargento Agnaldo morreu, assim como o cabo e judoca Mário Sabino Júnior, 47 anos, em circunstâncias ainda não esclarecidas, em uma rua sem saída, na região do Jardim Niceia, em Bauru.

"É muito difícil. Toda noite é muito difícil. Estou com os olhos inchados de tanto chorar. Minha pressão sobe só de lembrar que perdi meu filho", lamenta Alayde, que chegou a fazer um apelo materno, no dia em que viu o filho vivo pela última vez. "Eu pedi para ele parar de emagrecer. Ele estava fazendo dieta, academia. Mas emagreceu demais", comenta.

Durante a conversa com a reportagem por telefone, na tarde desta quinta-feira (31), Alayde questionou por diversas vezes quem foi o autor dos disparos que tiraram a vida de Agnaldo. Ela também revelou não ter informações sobre o paradeiro da nora, a cabo Águida Heloísa Barbosa Rodrigues, 47 anos, que estava no local do crime e acionou o Samu após os PMs serem baleados.

SEM CONTATO

Apesar de, inicialmente, haver informações de que a policial estivesse recolhida administrativamente em uma unidade da PM em Bauru, nesta quinta-feira voltaram a circular informações de que ela está afastada de suas funções por luto, em local escolhido por ela e não divulgado para evitar o assédio da imprensa.

Já Alayde está na casa da filha mais velha em São José do Rio Preto, onde tem encontrado apoio para enfrentar este momento. "Até agora, a gente não sabe o que aconteceu. A gente só vê o que sai na imprensa. É muito triste", reclama.

Desde a morte dos dois policiais, ela conta que não teve mais contato com a nora, nem com o neto, de 23 anos. "Vi a Águida no enterro do meu filho (em Pirajuí), mas não falei nada com ela. Ninguém da família falou com ela", detalha, revelando que a tensão no relacionamento da policial com os parentes de Agnaldo é anterior à morte do sargento.

"Meu filho ia em casa quase todo dia, mas, ela, eu via muito pouco. Já o meu neto eu via mais. Mas, agora, não sei onde ele está. Não tive mais notícias. Deve estar com a mãe", imagina.

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