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Rir de quem?

Roberto Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Coisa mais sem graça é gente sem graça. Sem humor, a cara azeda, o astral despenca e, sendo possível, o melhor é guardar distância do mal-humorado. O jornalista Marcelo Tas disse, transbordando humor, que a segunda coisa que nos dá mais prazer - depois do sexo evidentemente - é estar com uma pessoa bem humorada. Pura verdade. Humor rima com amor e, tanto quanto a atração física, é arma poderosa de conquista e sedução. Exatamente por isso, os feios bem-humorados não têm feito feio nas paqueras da vida. Por mais bonita que a cara seja, impossível se encantar com ela se vive lamuriando resmungos broxantes. Vai procurar a sua turma, cara!

O humor, todavia, não é só arma de sedução, é igualmente arma de defesa. Nietzsche dizia que "o homem, por sofrer terrivelmente neste mundo, foi obrigado a inventar o humor". Bem isso. É rindo que melhor enfrentamos as ameaças da vida. Quando acuados estamos, pressentindo o pior, a saída é destampar a garrafa da ironia. É rindo que espantamos o medo. Quem ri daquilo que teme é igual àquele que canta: também seus males espanta.

Muitos chutam o humor por levar a vida tão a sério. Tudo os incomoda e os estressa. Estão sempre esperando o pior. Desde a infância, sabemos que um dia o lobo virá, mas enquanto o Seu Lobo não vem, o melhor é continuar cantando e rindo no caminho da casa da vovozinha. Um dia a casa vai cair. Mas de que adianta mergulhar nos escombros do amanhã?

Sedução e defesa, o humor é também terrível ameaça. Não há quem não tema ser ridicularizado por um comentário irônico. Pudera, a ironia tira as tintas da nossa cara palhaça, rasga-nos a fantasia e nos deixa pelados no meio da sala. Nada pode ser pior do que erguerem a ponta do nosso tapete diante de abutres famintos.

Henry Bergson (1859/1941), filósofo francês, observou em "O Riso" que o humor é atributo essencialmente humano. Verdade. Não se tira a máscara senão do homem, porque só ele (e ninguém mais) é ridículo. Não se pode dizer ridícula uma vaca ou uma cabrita. O adjetivo é roupa humana. Disse mais, é o medo do ridículo que nos limita as excentricidades. Dizendo no popular: o medo segura a franga.

Sábio é aquele que aprende a rir de si mesmo, porque o tolo, não se enxergando, ri apenas do outro. Ao rirmos de nós mesmos, reconhecemo-nos imperfeitos, carentes, inconsequentes, medíocres, enfim reconhecemo-nos humanos. É o bastante para evitar aquela ridícula "selfie" de campeão, no sorridente pódio, com falsa taça na mão.

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