Esportes

A conquista do Alfredão

Luciano Dias Pires
| Tempo de leitura: 2 min

Quando surgem comentários em torno da situação atual do Estádio Alfredo de Castilho, no que se refere às dívidas junto à Prefeitura Municipal quanto a impostos, bem como o recebimento por parte do clube de aluguéis do seu ginásio de esportes para sediar campeonatos da basquete e vôlei e os diferentes problemas que aparecem com relação aquele complexo esportivo e a sua manutenção, pouca gente se lembra de como nasceu aquele verdadeiro monumento esportivo que já foi palco de conquistas memoráveis.

Recordamos que na década de 1940, quando era superintendente da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, o então coronel Américo Marinho Lutz determinou que fosse feito um estudo em torno da possibilidade de se construir, no local onde estava instalado o velho estádio - rua Quintino Bocaiúva - uma praça esportiva das mais modernas para a época. Tudo caminhava muito bem para a concretização da ideia, quando Lutz, em virtude da mudança da política brasileira, visto a deposição de Getúlio Vargas, deixou a direção da ferrovia, vindo para o seu lugar o general José de Lima Figueiredo. Assim, na ocasião aquele sonho foi desfeito.

Passados alguns anos, com Getúlio retornando ao poder após ser eleito mandatário máximo da Nação, Lutz voltou à chefia da Noroeste, já como general e com todos os poderes de outrora. De imediato pensou na edificação do estádio noroestino no antigo local, quando ficou sabendo da existência da importante área doada por Daniel Pacífico, lá nos altos da Vila Falcão, onde seria construído o sonhado estádio.

Para Américo Marinho Lutz era uma questão de honra presentear o E.C. Noroeste com uma nova sede. Após várias providências tomadas, determinou o início pelo ginásio de esportes, bem como pelas piscinas. Várias são as fotografias que constam de nossos arquivos, nas quais aparecem aquele militar, juntamente com os engenheiros responsáveis e dirigentes noroestinos, visitando as obras.

Porém, com o presidente Getúlio Vargas cometendo suicídio, fato esse que veio provocar a saída de Marinho Lutz outra vez da chefia daquela estrada de ferro, não pôde ele concluir o seu sonho. Mesmo assim, a construção foi inaugurada e serviu de palco para os Jogos Abertos do Interior em 1956. No entanto, o espaço já definido para o futebol, no que diz respeito às arquibancadas, vestiários, pistas de atletismo etc., somente poderia ser edificado se houvesse, por parte do E.C. Noroeste, a doação à Rede Ferroviária Federal S.A. daquela área, pois a mesma não poderia construir, conforme exigia a lei, obras em terrenos que não pertencesse a empresa.

Acertado o impasse, com o E.C. Noroeste fazendo a necessária doação, foi iniciada a edificação de todo o setor dedicado ao futebol, cuja inauguração aconteceu em 5 de junho de 1960 (em 2020 completa 60 anos). Na oportunidade, já era diretor da ferrovia o engenheiro Ubaldo Medeiros que, graças aos seus esforços conseguiu da RFFSA a verba necessária para que Bauru ganhasse aquele verdadeiro presente no campo esportivo.

Comentários

Comentários