Café com broa, pão de queijo, doces, prosa, queijo e mais prosa... Essas delícias nos levam, imediatamente, a Minas Gerais. E é do povo mineiro, suas tradições e da 'mineiridade' que este paulista gostaria de falar para dividir algumas sensações neste domingo bucólico, que nos permite relaxar, deixar assuntos complexos para a segunda-feira e contemplar coisas boas da vida, mais do que de costume.
Ao lado de minha esposa Fabiana e da filhota Anabella, estive em Belo Horizonte por 4 dias, no feriado e final de semana passados. Nestes dias, cá entre nós, alterei suavemente o nome da cidade para 'Bella Horizonte', porque fomos para lá assistir ao show de um grupo internacional de adolescentes (Now United) que a Bella adora.
E lá em "Belzonte", a 550 quilômetros de "Berlândia", apesar de ser uma capital de Estado, progressista, com dois milhões e meio de habitantes, pudemos concluir que não precisamos viver de cara fechada, a mil por hora, frenética e abestalhadamente.
Não sou 'viajado', então, o que vou dizer não deve ser novidade para muita gente, mas acho importante registrar, até pela similaridade com o nosso Interior, pois vi e senti que o mineiro é mesmo, como diz a lenda, acolhedor e tranquilo, como nós, aqui, de Bauru. Por sinal, foram mineiros que desbravaram as terras onde hoje está nossa cidade - notadamente Felicíssimo Antônio Pereira, em 1856.
Como turistas, fizemos o trivial. Provamos das bebidinhas e quitutes mineiros. Fomos à Pampulha, passamos ao lado do Mineirão (onde jogam o Galo, a Raposa e o Coelho), Praça da Liberdade, Parque das Mangabeiras, Mercado Central... Mas o que mais me agradou mesmo foi o agradável contato e o envolvimento com o povo de lá.
Estávamos na fila do show para trocar o vaucher pelo ingresso quando conhecemos as mineiras Paula e a Laura, mãe e filha. Papo vai, papo vem e logo ficamos amigos. Sim, apesar de instantaneidade, amigos mesmo, porque a amizade é desinteressada, flui naturalmente e não precisa vir de longa data.
Para nossa surpresa, no final da tarde já estávamos na casa deles, algo impensável em outros médios e grandes centros. Paula ligou para o marido, André, que correu acender a churrasqueira. Colocou apetitosos joelhos de porco defumados para assar e nos recebeu com a maior alegria do mundo. Restou provado: 'Eita povo bão, sô'.
Durante os muitos 'dedo de prosa' com André, Paula e Laurinha, 'rachamos o bico' com tantos 'causo'. Como estávamos 'varado de fome', jantamos e descobrimos outra preciosidade de BH: a cerveja artesanal que fabricam por lá. É fantástica, premiadíssimas mundo afora - Koala, Wälls, Backer, entre outras.
E na rua ainda aprendemos duas palavrinhas. 1- Na fila dos ingressos, alguém gritou lá na frente: arreda!, arreda! Descobrimos que era para recuarmos um pouco. 2- O motorista de um carro em que estávamos nos avisou que o trânsito estava 'garrado' demais, ou seja, congestionado.
Com toda essa 'trenheira' (várias coisas), nos sentimos em casa. Acima de tudo pelo calor humano, tão em falta no mundo, que sobra por aquelas 'banda' e revela que o horizonte pode ser belo e próspero para a convivência humana.
'Deus ti pague', André, Paula e Laurinha! Foi 'dimais da conta'!