Em Bauru, as infecções por HIV registraram sua menor taxa de notificação dos últimos 12 anos. Apenas 16 casos foram contabilizados pelo Departamento de Vigilância Epidemiológica até outubro deste ano, o que indica grande redução, já que a média da última década era de 62 casos por ano (leia mais ao lado). A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru relata que a queda é resultada do programa de prevenção, especialmente após a chegada, há um ano no SUS, das profilaxias pós (PEP) e pré-exposição (PrEP) ao HIV. A testagem rápida, importante para a descoberta e início do tratamento, que pode reduzir a carga viral a níveis não transmissíveis, também é responsável pela queda. Hoje, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, uma campanha para ampliar ainda mais a prevenção tem início (leia mais nesta página).
A redução observada em Bauru acompanha uma curva a nível estadual e nacional. "É algo que observamos com mais intensidade nos últimos dois anos, e que surgiu com as estratégias da prevenção combinada, que conta com a PEP sexual, profissional e por motivo de violência sexual, e a PrEP", cita a Josiane Fernandes, coordenadora do Programa Municipal de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) Aids e Hepatites Virais.
O grupo mais vulnerável ao vírus é formado por pessoas entre 20 e 29 anos, mas a população de idosos também preocupa o poder público.
"A informação sobre a PrEP e PEP tem chegado às pessoas, principalmente ao jovem na era da tecnologia. Ele se informa e busca se prevenir. E também é raro alguém nos procurar depois que as 72 horas da exposição ao vírus passaram", analisa Josiane. "Já quanto às pessoas idosas e deficientes, a sociedade parece ignorar achando que elas não têm práticas sexuais, o que também os torna vulneráveis. Temos feito campanhas para estes grupos", completa.
TRUVADA
Atualmente, 83 pessoas estão em acompanhamento pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e fazem profilaxia pré-exposição por meio da medicação Truvada. Segundo a coordenadora do programa não há demanda reprimida. "Nós vamos encaixando. É uma medicação de uso contínuo e são feitas avaliações antes. Não há reações adversas, mas as funções renais e hepáticas são acompanhadas de perto. Exames são feitos a cada 90 dias e a pessoa é assistida por psicólogos, assistente social e enfermeiros", acrescenta.
A medicação, contudo, não previne o usuário de outras infecções sexualmente transmissíveis. Josiane explica ainda que, antigamente, o exame laboratorial levava até 15 dias para ficar pronto. Hoje, a testagem rápida é capaz de diagnosticar o HIV em 20 minutos.
"Em 3 ou 4 dias, a pessoas já passa por consulta médica e recebe a medicação. Em seis meses de tratamento, o portador consegue reduzir a carga viral a níveis indetectáveis e não transmissíveis.