Articulistas

Pais separados e o Natal

Renata Bento
| Tempo de leitura: 2 min

O Natal é a celebração do nascimento e da união, simbolizado pela família. É o momento da expressão mais genuína da tradição familiar. Mas como passar por isso e sobreviver quando a sua própria família acaba de desmoronar? Quando se tem filhos pequenos, o primeiro Natal após a separação fica com ar meio nebuloso, esquisito, como se algo tivesse errado ou faltando. Natal faz lembrar criança, por conta de todo ritual e da crença imaginativa do Papai Noel; e criança faz lembrar a nossa criança, aquela que reside dentro de cada um de nós.

E é nesse ponto que parecer tocar mais profundamente; a criança interna, muitas vezes projetada nos filhos, está entristecida; e administrar o mundo externo passa a ser um dilema. Não tem mais aquela família e é estranho regressar à família de origem. É como se ficasse em um estado de transformação. Separar dentro de si um espaço para pensar sobre isso sem se misturar seu sofrimento com os filhos é um desafio.

As celebrações de final de ano são permeadas de muita emoção onde os sentimentos ficam mais aflorados e as pessoas ficam mais sensíveis, sobretudo nas semanas que antecedem o Natal.

Evitar conflitos em situações em que as pessoas estão emocionalmente envolvidas muitas vezes é difícil, porque de um lado pode se ter a expectativa de harmonia familiar, mas, por outro lado, pode anunciar problemas emocionalmente desgastantes. Para grande parte das pessoas, celebrar o Natal pode ser um momento de alegria, para outros, esse período é tão mobilizador que acaba por evidenciar as relações conflituosas; uma delas diz respeito a dificuldade encontrada nos pais para se estabelecer um parâmetro sobre a divisão da convivência com os filhos nesta época, após a separação do casal, que, em algumas situações é necessário uma intervenção judicial.

A comunicação é a base da relação entre as pessoas, mas nem sempre o ex-casal consegue ter equilíbrio para conversar, ajustar e muitas vezes ceder em suas expectativas. Ficam frustrados, competem pelo número a mais de dias que porventura os filhos ficarão com o outro, principalmente quando é o primeiro Natal após o divórcio. É possível usar a criatividade e, por exemplo, planejar um Natal antecipado para celebrar a união, aquela que é para sempre, já que não existe ex-filho (a). Puxar a criança como se fosse um cabo de guerra destrói emocionalmente a capacidade de confiança e segurança nos pais e no seu entorno.

As crianças com pais amadurecidos tendem a atravessar o divórcio de forma menos dolorosa. A criança sentirá a dor de não estar na convivência de ambos, mas se se os pais se abrirem ao diálogo, explicando como se dará a divisão de convivência, é bem possível que se sintam menos inseguras e mais compreendidas. Evitar disputas favorece o amadurecimento dos filhos.

 

Comentários

Comentários