São Paulo - O Ministério Público de São Paulo está investigando como homicídio as nove mortes ocorridas no domingo (1) em um baile funk na favela de Paraisópolis, zona sul da capital.
Os nove jovens, com idades entre 14 e 23 anos, teriam morrido pisoteados após uma intervenção da Polícia Militar no local. Familiares das vítimas e participantes do baile, no entanto, contestam essa versão.
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) de São Paulo afirmou hoje que a Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) "alterou a cena do crime" ao retirar das vielas de Paraisópolis, no último fim de semana, corpos de jovens mortos ao fim de um baile funk. "Esses corpos não poderiam ter sido levados para hospitais", disse o presidente do órgão, advogado Dimitri Sales.
"Designei a promotora do júri para fazer a apuração a respeito dos homicídios que ocorreram em Paraisópolis", disse nesta terça (3) o procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio. "Ela vai acompanhar as investigações."
Em depoimento, seis policiais militares, que foram afastados dos serviços de rua, disseram que perseguiam dois suspeitos em uma motocicleta.
ENCURRALADOS
Segundo eles, a pessoa na garupa teria atirado contra os PMs e provocado pânico --o baile reunia cerca de 5.000 pessoas. Frequentadores, porém, negam os tiros e disseram que foram encurralados.
O procurador evitou apontar excessos da PM na ação. "Ninguém gosta de nove mortes; agora, a forma de lidar com isso é fazer uma apuração dos fatos", afirmou.
Há divergências nos depoimentos de policiais que participaram da operação.
A polícia afirma que a tragédia ocorreu quando criminosos entraram com uma moto na aglomeração do baile e fizeram disparos contra os policiais. Isso teria provocado pânico no público, correria e empurra- empurra e daí as quedas e o pisoteamento.
Mas parte dos depoimentos de policiais aponta que, após os frequentadores do baile funk atirarem objetos contra PMs de moto, estes teriam conseguido deixar a favela sem maior confronto.
Só depois, segundo esses depoimentos, teriam voltado ao local e usado cassetete e munição química para dispersar a multidão.
Outros pontos do incidente também não estão claros. Os principais deles são como se os nove jovens morreram, se pisoteados ou por alguma outra causa - o que só será esclarecido por laudos dos legistas e por que razão o baile continuou por ao menos cinco horas após as mortes.