Belo Horizonte - A barragem da mineradora Vale que se rompeu em janeiro em Brumadinho (MG) e deixou 270 pessoas mortas colapsou por liquefação (quando um material rígido passa a se comportar como fluido), de acordo com estudo contratado pela empresa.
Houve dois gatilhos para o rompimento: um efeito de deformação natural (chamado "fluência") e uma perda de sucção que deixou os materiais menos resistentes, segundo o relatório.
A conclusão está no Relatório do Painel de Especialistas Sobre as Causas Técnicas da Barragem 1 do Córrego do Feijão, assinado pelos pesquisadores Peter K. Robertson, Lucas de Melo, David J. Williams e G. Ward Wilson, os maiores especialistas do mundo nessa área.
O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (12) e, segundo seus autores, não pode apurar responsabilidades, mas apenas as causas técnicas para que causaram o colapso da estrutura.
"Com base nos documentos analisados, está claro que os consultores [da Vale] sabiam do alto nível de água e do risco disso", mas estavam tomando as ações necessárias 'com base nas evidências que eles tinham'", afirmou Robertson.
A barragem se rompeu em 25 de janeiro, em menos de dez segundos, e despejou 9,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos em menos de cinco minutos, o equivalente a 75% do conteúdo da estrutura.
Os materiais retidos na barragem apresentavam comportamento frágil, diz o relatório, fazendo com que perdessem resistência. "Fica claro que o rompimento foi resultado de liquefação estática dos materiais."
A liquefação era a principal hipótese para o rompimento apontada tanto por especialistas quanto pelas investigações.
Foi esse também o motivo do rompimento da barragem de Mariana, em 2015, da mineradora Samarco "que tem a Vale como uma de suas donas", quando 19 pessoas foram mortas.