Há exatos 45 anos, nascia um projeto que se tornaria um dos mais importantes acervos sobre a história da cidade: o Bauru Ilustrado. Com edição do jornalista e historiador Luciano Dias Pires, de 92 anos, o suplemento especial revive épocas do município e é publicado mensalmente pelo JC. Neste sábado (14), um dia depois de completar seu 45.º aniversário, o exemplar chega à edição 520.
Veiculado sempre no primeiro ou segundo sábado do mês, o Bauru Ilustrado rememora a cidade desde a formação do vilarejo, passando pela chegada da estrada de ferro e as companhias Noroeste, Paulista e Sorocabana, que trouxeram o desenvolvimento.
Os aspectos políticos também são destaques, com histórias envolvendo prefeitos e vereadores que já atuaram no município, assim como deputados federais e estaduais que representaram a região.
No esporte, grandes confrontos entre Noroeste e Bauru Atlético Clube, o antigo Lusitana, são lembrados.
São nas páginas do Bauru Ilustrado que o antigo futebol varzeano, as festas de Carnaval e os acontecimentos sociais de Bauru também são revividos por meio de fotos, documentos e relatos da época.
"Digo em todas as edições que o corpo de uma cidade é seu povo e a alma é sua história. Esta, se não for preservada, respeitada e divulgada, faz com que a cidade e o povo percam sua identidade", comenta Luciano Dias Pires.
ACERVO
Na coluna "Retrato de Família", o respeitado jornalista já trouxe a memória de 350 famílias, estrangeiras ou não, que vieram para Bauru em diferentes épocas.
"É um marco dentro da imprensa, nem propagandas o Bauru Ilustrado tem em suas páginas. Não conheço um trabalho assim no Brasil", diz Luciano. "E temos muito material para ser publicado nos próximos anos, espero continuar firme para isso", completa o editor, contando que ainda mantém a tradição de escrever os textos em máquina de escrever. Os documentos são digitalizados por um setor do JC.
O acervo do Bauru Ilustrado possui mais de 20 mil fotos, que contam o que aconteceu em Bauru. São documentos, muitas vezes, doados por amigos e leitores assíduos do exemplar.
MEMÓRIA
Fora tudo isso, outro traço que chama a atenção de todos é a memória de Luciano. Ele se lembra com clara lucidez nomes, locais e acontecimentos. E é dessa forma que ele rememora a edição que iniciou toda essa trajetória. "Entre as histórias que me marcaram na primeira edição, está a de uma mulher que vendia pamonha nas ruas de Bauru para conseguir pagar a faculdade. Também contei a vida de um carregador de malas, profissão que acabou na época. Outra história marcante é da vida da professora Hermantina, que saiu ainda jovem da cidade após os filhos morrerem e, quando voltou, aos 80 anos, reconheceu seus alunos pelo nome. Eu chorei muito", lembra Luciano, também elencando a explosão da avenida Nações Unidas como umas das edições mais marcantes da publicação.
"Acho que é uma dádiva de Deus eu ter boa memória. São histórias que me dão força para continuar essa caminhada", finaliza Luciano Dias Pires, folheando as páginas de uma cópia da primeira edição do Bauru Ilustrado.