Todo final de ano, especialmente no Natal, o espírito de solidariedade toma conta das pessoas. Todos querem compensar o que não foi feito durante o ano todo, para talvez, tentar se redimir de algo que ficou pra trás e deveria ter sido resolvido. Esta é a época em que as pessoas são benevolentes umas com as outras e a proposta é chegar ao último dia do ano apenas com a conta da vida zerada.
Vale uma reflexão mais profunda, especialmente por conta deste ano de 2019 ser turbulento politicamente, não que os outros não tenham sido. Porém, o grau de intolerância a que chegamos, principalmente através das redes sociais, é de se avaliar e tentar concluir a que ponto chega um ser humano quando ele sempre acha que tem razão sobre tudo e todos.
Temos visto a maldade que obviamente sempre existiu, mas agora uma forma escancarada e mais assustadora. E pior, temos visto pessoas se posicionarem com certa alegria em ver a desgraça alheia. É fato que tudo que acontece na vida é para o bem ou para o mal. No entanto, estamos nos esquecendo de tirar as lições que a vida nos dá a partir desses mesmos fatos.
Perdemos a capacidade de indignação porque é absurda a rapidez com que temos que engolir as informações. Uma avalanche de situações ruins nos coloca diante de um ser humano cruel e acabamos por concluir que não somos nada, quando na verdade, tem muita coisa boa acontecendo e ficam escondidas porque o amargo do fel de ver a desgraça alheia se sobrepõe às delícias do sabor de digerir uma atitude positiva adotada por alguém. Precisamos retomar o rumo urgente. Caso contrário, teremos mais pessoas doentes, porque a tristeza, o rancor, o medo, são sentimentos que adoecem. Temos que enaltecer o que há de bom e assim, também seremos capazes de recuperar o ser que está se perdendo no mundo.
A vida é feita de momentos e a cada um perdido com as coisas ruins, nos é roubado mais um tempo precioso. A vida é um sopro. E estamos perdendo as oportunidades de respirar fundo, pensar e respeitar o outro.
Há que se fazer uma séria reflexão e entender de uma vez por todas que não dá para viver sozinho neste mundo cheio de gente boa e ruim. Falta bom senso, respeito, amizade, sinceridade e amor ao próximo. Temos que pensar que estamos acabando com o planeta. Nós somos os responsáveis por poluir o mundo. Independentemente de governos, precisamos assumir a nossa parte e fazer o que deve ser feito. Ou então, teremos certeza que o ser humano está aqui apenas para destruir tudo e a si mesmo.
Não temos função no ecossistema. Você que só reclama, mas joga papel pela janela do carro, já fez a sua parte boa? Só há o desejo de enriquecer cada vez mais, enquanto se esquece de que todos, indistintamente, vão morrer e não vão levar nada. Vamos proteger as crianças e ensiná-las que a vida vale a pena quando a fé não é pequena. Vamos cuidar dos animais porque eles existem por uma razão muito além de ser apenas animais. Precisamos aprender com eles.
Que todos tenham um final de ano com saúde e esperança, e, para conquistar isso, só o que conta é o nosso comportamento.