Turismo

Turismo em 2020: o que esperar

Adriana Moreira
| Tempo de leitura: 3 min

Não foi um ano fácil para o turismo nacional. Neste 2019, a Avianca entrou em recuperação judicial; as praias do Nordeste foram invadidas por petróleo cru; por fim, a disparada do dólar comprometeu os planos de quem planejava ir ao Exterior. Com essa junção de fatores, o que o turista pode esperar para 2020, especialmente para a alta temporada?

De modo geral, o setor está otimista. A incidência das manchas de óleo (mais informações abaixo) está diminuindo e a Black Friday ajudou a movimentar os próximos meses com ofertas que podem ser aproveitadas neste verão. E quanto ao dólar? Bem, o dólar, por enquanto, continua acima dos R$ 4 - e quem tem viagem marcada ou não quer abrir mão de ir ao exterior tem de mudar hábitos ou escolher outro destino para economizar.

Segundo Roberto Nedelciu, presidente Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), em 2018 o Nordeste representou 50% das vendas (cerca de 2,8 milhões de pessoas) das viagens nacionais. Este ano, com as notícias sobre o óleo, a procura pelo Nordeste caiu, mas aumentou para outros destinos nacionais, como Amazônia, Chapadas dos Veadeiros, Guimarães e Mesas, Foz do Iguaçu. De acordo com dados do buscador de passagens aéreas Kayak, Belém (PA) foi o destino com o maior aumento de procura para o verão, com 103% de variação. Manaus é o terceiro da lista ( 55%), atrás de São Paulo ( 62%).

Demanda reprimida

No entanto, Nedelciu explica que, com a diminuição das manchas, há um movimento de retomada, com a volta do interesse do consumidor e, ao mesmo tempo, bons preços para viajar. "Há promoções muito boas para o Nordeste. É uma boa oportunidade para procurar o destino."

A operadora CVC, por exemplo, estendeu a promoção da Black Friday para até o fim do mês, com ofertas para viajar já em janeiro e fevereiro, como forma de alavancar as vendas para o Nordeste. Segundo Viviane Pio, gerente executiva de suporte às vendas da operadora CVC, as pessoas demoraram mais para escolher o destino de férias por causa das notícias das manchas de óleo. "Tinha um pouco de demanda reprimida por causa das notícias", diz.

Ela explica que a Black Friday estimulou as vendas tanto entre quem não tinha planos e quis aproveitar os preços quanto entre quem estava esperando uma boa oportunidade para as férias. "Tivemos um volume de compra muito grande. Os cinco principais destinos vendidos em novembro foram para o Nordeste", conta. Ainda sem números finais consolidados, Viviane afirma que o cenário é positivo. "As lojas estão cheias e as vendas deste ano já devem ter se igualado ao volume do ano passado."

Sérgio Souza, presidente da Resorts Brasil (Associação Brasileira de Resorts), também acredita que havia uma demanda reprimida para as viagens ao Nordeste. "Houve uma paralisação na decisão de compra naquele momento (do surgimento das manchas) porque ainda estava um pouco longe da alta temporada", explica. Dos 55 resorts associados, 29 ficam no Nordeste. "Ficamos muito preocupados que afetaria a alta temporada, mas foi um susto que passou", diz.

Comentários

Comentários