Liberados nesta semana, os trechos das marginais da rodovia Marechal Rondon, na altura do cruzamento com a avenida Nações Unidas, em Bauru, já têm gerado polêmica. Alguns minutos no local foram suficientes para a equipe do JC flagrar, nesta sexta-feira (3), motoristas perdidos com a sinalização, cortando a frente de outros veículos repentinamente. Especialista em segurança viária, o engenheiro Archimedes Raia Junior esteve no local e constatou que a marginal possui extensão curta das chamadas áreas de entrelaçamento, onde veículos trocam de faixa para ingressar ou sair da marginal. Ele considera que é preciso mais sinalização para alertar os condutores.
"Não há uma medida certa, mas é perceptível que a área de entrelaçamento é curta e que não favorece a segurança. Quanto maior este espaço, maior a proteção aos motoristas", avalia Raia Junior.
Ele considera que o fato de a obra ter sido feita sobre um dispositivo já existente e que não previa marginais, no caso a Rondon, é um dos fatores que explica a pouca extensão da área de entrelaçamento na marginal, entre as alças de acesso e de saída.
O maior receio em relação ao pouco espaço recai sobre o uso intensivo do trecho por caminhões, especialmente os cegonheiros, que tem baixa velocidade e acessam cotidianamente a avenida Nações Unidas para chegar até revendedoras e concessionárias.
REFORÇAR
Em ambos sentidos, Capital/Interior e Interior/Capital, as marginais não possuem ao longo de suas extensões placas informando o limite de velocidade e nem dispositivos redutores da mesma. E carros com velocidade aparentemente incompatível não são incomuns.
Ao atingir o final do dispositivo, contudo, quem segue pela marginal deve parar para dar preferência para quem vem da avenida para acessar a rodovia.
Neste ponto, Raia Júnior considera necessário o reforço da sinalização e a implantação de pinturas de solo para alertar melhor os condutores. Uma placa maior informando a "Preferencial", já que a que está instalada parece ser menor se comparada com as demais, também é reivindicada.
"A sinalização não é algo caro, se comparada com a obra e é preciso ser chato com isso, pecar pelo excesso. Até porque é algo muito recente e as pessoas não estão acostumadas. Os acidentes são raros, mas acontecem. E precisamos evitá-los ao máximo, a segurança deve prevalecer", observa o especialista.
No local, a reportagem flagrou cenas em que motoristas pareciam perdidos com a sinalização. Uma motocicleta que seguia na preferencial, saindo da Nações para acessar a rodovia, brecou para um carro passar mesmo seguindo na preferencial. A situação quase gerou colisão com os veículos que seguiam atrás de ambos.
"À noite, a visibilidade piora. Um carro brecou em cima do meu outro dia, porque não se atentou à preferencial", disse um motorista bauruense de 56 anos que pediu para não ser identificado.