Agudos - No mundo, a cada dois minutos e meio, nasce um bebê com uma fenda de lábio e palato. Considerada uma das alterações genéticas mais comuns no conjunto de anomalias craniofaciais, estas e outras condições ganharam "upgrade" no tratamento em algumas unidades no País. É que elas passaram a contar com o projeto criado por uma médica agudense, o CranFlow, uma aplicação online para coleta e armazenamento de dados sociodemográficos, genéticos e clínicos de pacientes. Por sua ajuda e importância no tratamento, a proposta recebeu o reconhecimento Inovação em Genética do Prêmio Abril & Dasa de Inovação Médica 2019.
A cerimônia de entrega foi realizada em 9 de novembro, em São Paulo. As autoras do trabalho são a agudense formada pela Unicmap Vera Lúcia Gil da Silva Lopes e Roberta Mazzariol Volpe Aquino, do Departamento de Genética Médica e Medicina Genômica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Isabella Lopes Monlleó, da Universidade Federal de Alagoas, ajudou a elaborar a parte de informática da proposta.
Vera conta que o Cranflow derivou de um projeto chamado Crânio-Face Brasil, iniciado em 2003. O banco de dados na época era de papel. Em 2015, Vera iniciou o Cranflow e propôs a aplicação da ferramenta em centros de referência no tratamento de anomalias craniofaciais, que passaram a trocar informações.
Hoje, nove municípios em estados diversos a utilizam. "Maceió, Natal, Fortaleza, Recife, São José do Rio Preto, Campinas, Joinville, Curitiba e Porto Alegre", cita Vera, que mudou-se ainda criança para Bauru, cidade em que estudou até o ensino médio.
BALIZADOR
O projeto, segundo ela, tem balizado ações no tratamento assim como gerado artigos científicos com propostas de políticas públicas no setor. "A forma como os dados são coletados, a classificação e as nomenclaturas utilizadas são reconhecidas internacionalmente", acrescenta Vera.
São condições genéticas que impactam a estrutura óssea de crânio e face e demandam tratamento prolongado e acompanhamento de diferentes profissionais de saúde, como cirurgiões, pediatras, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Por isso, reconhecer a história natural dessas alterações é crucial para seu manejo adequado. "Em termos tecnológicos, buscaremos, em 2020, ampliar ainda mais o número de doenças registradas. Em termos científicos, prover melhor aconselhamento genético quando há casos na família. É possível prevenir, fatores ambientais e medicamentosos auxiliam", finaliza a médica.