Manaus - Na mais violenta ação policial registrada no país em 2019, a PM do Amazonas matou 17 pessoas durante incursão contra o narcotráfico em Manaus, na noite de 29 de outubro. Cerca de um mês depois, o inquérito da Polícia Civil sobre caso não identificou indícios de dolo homicida e concluiu que os policiais agiram no "estrito cumprimento do dever legal".
As mortes ocorreram no bairro Crespo em Manaus, em área com casas de palafita erguidas sobre um igarapé de águas poluídas e cobertas de lixo. Por volta das 22h, integrantes da facção Família do Norte (FDN) chegaram armados para tomar o ponto de venda do Comando Vermelho (CV).
Acionada, a PM chegou em seguida ao bairro. No suposto confronto, nenhum policial se feriu e ninguém foi preso. Todos os corpos foram retirados antes da chegada da polícia e levados a hospitais. Entre os mortos estava Uelinton do Nascimento da Silva Junior, 14, morador do bairro e sem antecedentes criminais.
APURAÇÃO
Em entrevista a uma rádio local no dia 19 de dezembro, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), acusou a PM de ter promovido um massacre no Crespo, mas não apresentou provas. Procurado pela reportagem, ele não respondeu ao pedido para detalhar a acusação.