No litoral, o horizonte é a linha onde o mar encontra o céu. Um degradê de azuis transforma líquido em ar. Quanto tempo leva a alquimia? Na visão relaxante a partir da praia, o movimento dos olhos. No oeste do Canadá, apenas uma hora e meia. De nome tão bonito quanto o percurso, a Sea to Sky Highway (algo como Rodovia do Mar ao Céu) conecta Vancouver, à beira do Oceano Pacífico, a Whistler, no alto das Montanhas Costeiras.
Num desenho nem sempre reto, o trajeto desafia a lógica da menor distância entre dois pontos. Considerada uma das mais cênicas estradas do Canadá, a Sea to Sky Highway é um percurso curto, mas contraria quem tem pressa de chegar. Curvas dão o contorno ao longo do caminho, até a inclinação alcançar o mais famoso destino de esportes de neve do país, a vila de Whistler, 675 metros acima do nível do mar.
O deslocamento dentro da província de British Columbia risca no mapa aproximadamente 120 quilômetros da rodovia BC-99, nome da estrada com 400 quilômetros de extensão aproximada. O pedaço de Horseshoe Bay (bairro no distrito de West Vancouver) a Pemberton (cidadezinha 30 quilômetros acima de Whistler) é chamado de Sea to Sky Highway.
Clima e sustentabilidade
No Canadá, a época do ano muda completamente o cenário - e a experiência. Durante a temporada de calor, azuis se intercalam na Sea to Sky Highway. Quando esfria, os tons desbotam ao redor. De outubro a março, o cinza da chuva pinta Vancouver com maior frequência e convoca a assistir a um jogo dos Canucks no auge da temporada de hóquei, o esporte nacional, e a aproveitar o maior festival de gastronomia e bebida do Canadá, o Dine Out, entre janeiro e fevereiro.
Mas outro tom dita tendência na cidade, considerada a melhor das Américas para se viver e terceira do ranking mundial, segundo levantamento de 2019 da consultoria Mercer. Vancouver, onde o Greenpeace foi fundado em 1971, põe em prática um plano de sustentabilidade desde 2015, com o objetivo de se tornar a cidade mais verde do mundo ainda neste ano.
Desde 2005, a vila de Whistler também promove ações para ser mais sustentável até 2020, pensando não apenas no ambiente, mas no fortalecimento da comunidade para ser verde e economicamente viável. Sua estação, Whistler Blackcomb, sob o comando da americana Vail Resorts desde 2016, acaba de lançar um programa para zerar a emissão de carbono até 2030.
Aliás, tem novidade nos meios de elevação por lá: um investimento de 66 milhões de dólares canadenses (mais de R$ 200 milhões) foi feito para agilizar a chegada até o topo das pistas