O residencial Ebel, na Vila Universitária, chamou a atenção e tornou-se modelo para outros condomínios da cidade. Funcionária da Emdurb na época da criação do Plano Municipal de Resíduos, Karen Cesariano, 47 anos, foi motivada a iniciar projetos de orientação em relação aos resíduos em residenciais da cidade.
"O plano municipal mostrou que 27,5% do lixo da cidade eram recicláveis e mais de 20% eram materiais não recicláveis, mas reaproveitáveis. Pensei que se essa boa parte de recicláveis está acumulada em condomínios, seria mais rápido diminuir o lixo da cidade fazendo um trabalho de prédio em prédio", conta Karen.
Um dos primeiros em que ela esteve foi, justamente, no Ebel, onde já havia o projeto da Comissão de Cidadania. "Então, através da Emdurb, ajudei a comissão com materiais e informações, mas elas caminharam praticamente sozinhas. O projeto já era bastante evoluído e continua sendo excepcional."
Karen também foi responsável por desenvolver a Lei dos Condomínios, que foi aprovada em novembro de 2016. "No ano passado, foi fundada a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam) e eu retomei esse trabalho nos condomínios. É muito resíduo dentro deles que não são reciclados. É dinheiro e é emprego que só dependem da separação correta do lixo", diz Karen.
FACILIDADE
A síndica do residencial, Karla Madiruiz, 57 anos conta que os espaços no prédio foram remodelados para facilitar a prática correta. "Nós temos uma sala reservada, com depósito para óleo, pilhas, vidro e demais rejeitos. Ao lado, há um lavabo para que os moradores e os funcionários possam se higienizar", salienta.
Nesta sala de descarte - que é bastante limpa e organizada -, existem seis latões para resíduos recicláveis e três para rejeitos orgânicos. A funcionária do residencial Vergindrina Aparecida Lopes, 44 anos, diz que o formato facilita o seu trabalho diário. "Isso faz com que a gente não se machuque ao manusear o lixo. Ajuda também a separar com mais facilidade. A maioria colabora muito, mas mesmo quando esquecem uma coisa ou outra, a gente faz a separação. Esses dias, começamos a tirar as tampinhas de plástico para dar para uma ONG que reverterá em ração para animais", diz.
CASO DE SUCESSO
Ainda que bastante avançados, a síndica conta que se trata de uma luta diária com os antigos e novos moradores do prédio, mas que é possível implantar o modelo em qualquer condomínio. "No começo, quando tiramos os latões dos andares, ainda muitos moradores deixavam nas escadas, relutavam em fazer o descarte correto do lixo. Então, começamos a dar advertências e em casos de reincidência, multa", afirma. "Até hoje, temos câmeras na sala de depósito de lixo, que nos auxiliam a ver quando alguém faz o descarte incorreto. Recentemente, inclusive, uma pessoa quebrou uma jarra e não depositou de maneira adequada os cacos no latão de vidro. Tivemos que intervir", completa.
No intuito de passar a diante o bom exemplo, em outubro de 2019, foi realizada uma reunião entre a equipe da Ascam com a comissão do residencial Ebel e demais interessados. "Recebemos representantes de cerca de dez condomínios da cidade para falar sobre como fazemos nosso trabalho e estamos dispostas a ajudar e orientar quem se interessar pela implementação desse modelo", finaliza Maria Orlene Daré.