A medida provisória 914, proposta pelo governo federal no final de 2019, além de afrontar o ordenamento jurídico é mais uma forma de ataque às instituições públicas duramente construídas e conquistadas pelo povo brasileiro. Ela estabelece que os dirigentes das universidades e institutos federais não precisam mais ser escolhidos respeitando a vontade da comunidade universitária. Ou seja, quer acabar com a autonomia universitária. Está havendo forte oposição e deverá ser mais uma das patacoadas a serem abandonadas, como é típico desse governo. Porém, articulistas, como Hélio Schwartsman, tão embasados em suas considerações, deram uma bola totalmente fora, parecendo desconhecer o que é o cotidiano de uma instituição federal de ensino superior. Ele argumentou que ocorre hoje certo "populismo universitário". Desde quando a autonomia universitária levou reitores a demitirem professores ou facilitar a vida acadêmica de estudantes? Em contraponto, muitos questionamentos de má gestão aconteceram quando ocorreu o oposto, ou seja, o dirigente empossado não foi o do topo da lista de escolhidos.
O acesso à diversidade de informação, ainda promovido por alguns veículos, mostra por que os bolsonaristas atacam diuturnamente a imprensa, querendo que apenas o twitter presidencial seja a "Voz do Brasil". Ainda que o público jovem careça de uma educação de qualidade e de uma mídia especializada em assuntos de seu interesse, as facilidades de contato com opiniões das mais diversas não tem produzido, ainda, uma massa pensante crítica.
A educação, assim, está em desconstrução no governo atual. Os jornais, mesmo quando criticam, deixam de considerar o fundamental: o confronto estabelecido é parte de uma política articulada de desmonte do sistema educacional público para sucateá-lo e promover a entrada ainda mais pesada de grupos privados, cujo objetivo não é o conhecimento, mas, sim, o lucro. A irmã do ministro da economia representa esses grupos e nem uma vírgula tem sido dita a respeito.