A gênese das concepções de esquerda e direita nasce no pós-Revolução Francesa, que marcou o fim da Idade Moderna e brotou o movimento social e político que derrubou o antigo regime, resultando na queda da Bastilha e inaugurado uma nova era civilizacional. Protagonistas deste movimento eram os jacobinos e os girondinos que lutaram contra o rei, mas diferenciavam-se em suas visões.
Os jacobinos, por meio da liderança de Robespierre, tinham posições mais radicais sobre os rumos revolucionários como: abolição da escravatura nas colônias francesas; educação para todos; uso da violência contra os opositores da revolução; fim de todos os privilégios do clero e da nobreza e controle de preços de produtos de primeira necessidade, entre outras.
Já os girondinos, liderados por Jacques Pierre Brissot, tinham uma posição mais moderada e defendiam a instalação de uma monarquia constitucional; a liberdade das atividades econômicas sem intervenção do governo; a exclusão dos mais pobres das eleições e advogaram a favor do voto censitário (baseado na renda), dentre outras.
Como os jacobinos sentavam-se à esquerda do plenário, foram cunhados de esquerdistas; já os girondinos, sentando-se à direita, foram cunhados de direitistas. Assim nasceu a concepção entre direita e esquerda que baliza as ideologias políticas até a contemporaneidade. Evidentemente que mudaram muito as percepções e as ideias que hoje distinguem esquerda e direita; todavia, por meio de certa altivez, tanto direita como esquerda se utilizam desta prerrogativa para apontarem o dedo aos seus oponentes.
Ingenuidade ou má-fé, seguida de arrogância, transforma a política em verdadeiras cruzadas moralistas e hipócritas, que escondem a verdadeira disputa ou interesse. A questão ética não pode ser politizada - como questões ideológicas de concepções políticas entre direita e esquerda - até porque a ética é ambidestra e não tem assento em nenhum plenário.
Deveria ocupar todos os assentos.
Disputa do corrupto de estimação, relativismo ético e o falso moralismo apequenam as visões distintas que, de fato, norteiam as concepções de mundo e, consequentemente, entre direita e esquerda. O ser ético, como prerrogativa cidadã, é nortear seu comportamento por princípios que possam responder:
Quero? Devo? Ou posso?
Como diz o filósofo Mario Sergio Cortella: "Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero.