Reflexão e Fé

75 anos do fim de Auschwitz


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Segunda passada (27/1) foi lembrado o fim do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, sul da Polônia, em que há 75 anos soldados soviéticos libertaram os poucos sobreviventes torturados. Registra-se que mais de 1,1 milhão de pessoas foram exterminadas pelo regime nazista só ali naquele lugar. Apenas por volta de 7 mil judeus, entre eles, cerca de 500 crianças, sobreviveram em condições precárias em Auschwitz.

Nos horrores do Holocausto, entre o extermínio de milhares de pessoas, encontramos o mundialmente conhecido alemão, mártir-teólogo, pastor luterano Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) que foi executado devido a sua resistência ao sistema nazista. Bonhoeffer, certamente foi um dos raros homens da igreja que resistiu a maldade instituída por Adolf Hitler. Desde cedo Dietrich Bonhoeffer decidiu ser teólogo e com isso se tornou um dos mais profícuos e renomados teólogos do século 20. Aos 27 anos assumiu o pastorado em uma congregação de Londres na Inglaterra; dois anos depois retornou a Alemanha para dirigir o Seminário Teológico da Igreja Confessante. Em seguinte tomou a importante decisão de ingressar-se no movimento de resistência. Tornando-se um militante contra o sistema de opressão nazista, teve a sua habilitação à docência na Universidade de Berlim cassada, assim como a proibição de palestrar e escrever. Bonhoeffer se tornou muito ativo na luta entre a Igreja Confessante Antinazista e a Igreja dos "Deutsche Christen" (os cristão-alemães defensores do nacional-socialismo). Em abril de 1943 ele foi preso e, após dois anos, com menos de 40 anos foi executado no campo de concentração de Flossenbürg. Em sua biografia consta que ele atuou como agente secreto tramando inclusive o assassinato do líder nazista. Com um espírito democrático, chegou a estar a salvo nos EUA, mas aceitou o convite de se infiltrar na Alemanha na intenção de reestabelecer a paz mundial. O papel de Bonhoeffer como agente contrário ao nazismo era o de passar mensagens sigilosas ao bispo britânico George Bell, que as direcionava ao primeiro-ministro da Inglaterra, Winston Churchill. Assim o pastor luterano participou do planejamento de diversas ações para salvar judeus, além, é claro, das tentativas de assassinar Hitler. Quando se deu a "Operação Valquíria" (1944), o mais famoso dos golpes para eliminar o "Fuhrer", Bonhoeffer já estava preso pela polícia secreta alemã. E foi justamente pela falha da Operação Valquíria que os nazistas descobriram o seu papel como agente duplo que culminou em seu enforcamento.

No domingo de seu enforcamento, demonstrando convictamente a sua fé em Cristo sob a promessa da vida eterna declarou-se consciente da sua eternidade: "Digam-lhe que este é o fim para mim, mas também o início. Junto com ele, acredito no princípio da nossa fraternidade universal cristã que se eleva acima de todo interesse nacional e acredito que a nossa vitória é certa...". Um médico, testemunha dos últimos instantes de vida de Bonhoeffer, deixou por escrito palavras capazes de nos comover: "Através da porta entreaberta em uma sala dos barracos, eu vi o pastor Bonhoeffer, antes de vestir o seu uniforme da prisão, ajoelhar-se no chão para orar a Deus com fervor. Fiquei profundamente tocado pelo modo com que esse amável homem orava, tão devoto e seguro de que Deus ouvia a sua oração. [...]. Nos quase 50 anos de profissão médica, eu nunca tinha visto um homem morrer tão totalmente submisso à vontade de Deus".

São milhares as vítimas de Auschwitz, como de todo o sistema nazista. Pesquisadores estimam 11 milhões de mortos; além de mais da metade de judeus, ainda tinham padres, pastores, ciganos, portadores de deficiências mentais ou físicas, comunistas, sindicalistas, testemunhas de Jeová, anarquistas, gays, poloneses, povos eslavos e combatentes da resistência. Relembrar a história de horror, biografias como a de Dietrich Bonhoeffer, é imprescindível para o aprendizado das novas gerações, para que ditaduras como o Nazismo, Comunismo, Fascismo não aconteçam nunca mais.

"Os ímpios erram o caminho desde o ventre; desviam-se os mentirosos desde que nascem. [...]. Mas, de fato, os justos têm a sua recompensa; com certeza há um Deus que faz justiça na terra" (Sl 58.3,11).

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