Em 2019, os brasileiros começaram a brincar com a casa conectada - com a ajuda dos assistentes de voz de Amazon e Google, dispositivos como lâmpadas inteligentes chegaram às lojas do País. No início de janeiro, em Las Vegas, nos EUA, durante a feira Consumer Electronics Show (CES), as gigantes de tecnologia mostraram dispositivos que apontam o próximo passo para as residências. Equipados com inteligência artificial (IA), os novos aparelhos não só respondem a comandos via Internet, como ligar e desligar. Eles têm um "cérebro próprio", capaz de tomar decisões para facilitar o dia a dia das pessoas.
A sul-coreana LG, por exemplo, exibiu uma nova máquina de lavar roupas inteligente. Graças a seu computador interno, munido de IA, o eletrodoméstico tem autonomia para controlar todo o processo de lavagem. Ao usuário, basta colocar as roupas, o sabão e o amaciante. Sozinha, a máquina usa algoritmos para identificar os tipos de tecidos, selecionar o modo de lavagem e até avisar o dono das roupas caso ele exagere na quantidade de sabão em pó.
Segundo especialistas, dar mais autonomia aos aparelhos é uma nova tendência, chamada de "inteligência das coisas". É uma evolução da "internet das coisas" (conhecida pela sigla em inglês IoT), apelido dado à revolução que pretende conectar os objetos à nossa volta.
A "inteligência das coisas" também é uma aposta da Samsung. Nos EUA, a empresa mostrou o Ballie, um robô criado para ajudar na rotina doméstica. Ao andar pela casa, ele pode abrir a cortina pela manhã para ajudar no despertar do usuário ou ativar um robô que aspira o pó caso encontre poeira pela casa. Outro destaque da Samsung é a nova versão da geladeira Family Hub. Munida de câmeras, a máquina pode reconhecer os alimentos guardados e sugerir receitas para a semana.
Fronteira
Para tomar decisões próprias, os dispositivos precisam de duas coisas: sensores para captar dados e processadores que possam interpretá-los. Essa segunda parte é crucial para que as informações sejam processadas no aparelho - e não na nuvem ou num servidor central, como se costuma fazer. É uma tendência que tem sido chamada de "computação embarcada" ou "computação nas bordas".
Professor da USP, Renato Franzin explica que esses sistemas dão condições para que os aparelhos possam ter melhor desempenho e eficiência. Segundo o professor, a inovação é uma consequência direta da tecnologia móvel. "Com PCs e smartphones, a indústria aprendeu a ter sistemas com bom desempenho em tamanho compacto - e hoje eles podem estar em vários lugares", diz.