Em que momento perdemos o rumo da história e a civilidade? Estamos falando do respeito e da harmonia entre uma sociedade organizada. Princípios que norteiam a vida de cidadãos, como o caráter, o respeito e a educação, deixaram de ser importantes, passaram a ser coadjuvantes na vida de jovens e adultos.
Tanto isso é real que em qualquer situação que uma pessoa tenha um comportamento adequado, extremamente educado, e que deveria ser comum, ela passa a ser motivo de olhares e comentários até jocosos. Dar passagem a um idoso na fila do mercado, por exemplo, tornou-se a maior raridade dos tempos modernos. E quando isso acontece, os olhares deixam transparecer o espanto. Muitas vezes até o próprio beneficiado se sente constrangido por ter sido notado.
E o dia a dia passa em um atropelo total. Insisto nas questões comportamentais porque eu, como muitos, ainda não perdemos a capacidade de indignação diante de fatos que parecem 'normais' e na realidade são estarrecedores. Isso sem considerar as crianças, em sua grande maioria, que literalmente batem nos pais e em quem estiver por perto, sem que sejam corrigidas. E os fatos se repetem e as pessoas começam a agir como se o comum fosse o comportamento grosseiro, tosco, arrogante, a incivilidade.
E que tal lembrar o civismo? Se não há civilidade não há civismo. Aliás, não é possível separar os dois tipos de comportamento. Se as pessoas não respeitam umas às outras, muito menos vão respeitar as instituições e as Leis. E novamente nos deparamos com a intolerância, os discursos de ódio que se espalham pelas redes sociais e são capazes de provocar ações inimagináveis entre determinado grupo de pessoas.
É lamentável que no século 21 haja tamanho regresso entre a sociedade. É inaceitável, que o ser humano esteja perdendo a capacidade de viver em comunidade, sem que para isso tenha que ter atitudes mesquinhas, grotescas como se ainda vivesse a vida nas cavernas. E mais sério ainda é ver as crianças em meio a esse estado de coisas, transformando-se em adultos egoístas, individualistas e soberbos.
Precisamos retomar nosso rumo, resgatando valores esquecidos no fundo das gavetas, assim como acontece com os projetos de vida de pessoas que ainda tentam ser ou fazer alguma coisa útil, mas são engolidas por uma sociedade doente.