São Paulo - O dólar voltou a subir e fechou em nova máxima histórica nesta quarta-feira, com o real mantendo-se entre as divisas de pior desempenho no dia, sob pressão do exterior e de dados locais indicando recuperação econômica mais hesitante.
A narrativa sobre o risco de uma economia mais frágil --a julgar por dados recentes-- e a chance de esse cenário trazer novas quedas de juros têm colocado forte pressão sobre o real neste ano, enquanto analistas destacam que a variável que poderá dar algum alento ao câmbio é justamente uma retomada firme da atividade.
VENDAS NO VAREJO
Mais cedo, o IBGE reportou que as vendas no varejo caíram 0,1% em dezembro ante novembro, primeira queda na base mensal desde maio, com alta de 2,6% sobre um ano antes. Ambos os resultados vieram mais fracos que o esperado.
Juros mais baixos reduzem o diferencial de retornos entre o Brasil e o mundo, o que deixa o real menos atrativo em relação ao dólar e a outros pares emergentes. Enquanto um título brasileiro de um ano paga 4,26% ao ano, o mesmo papel para o México --que ostenta grau de investimento e é um dos principais "concorrentes" do Brasil por investimento estrangeiro-- promete retorno de 6,78%.
A força do dólar no Brasil nesta sessão também veio na esteira de nova alta da moeda dos EUA ante várias outras divisas, conforme persiste a demanda pela segurança do dólar diante dos temores de coronavírus e da maior atratividade dos juros nos Estados Unidos ajustada pelo risco.
Todos os três principais índices de ações dos Estados Unidos fecharam em máximas recordes nesta quarta-feira, com otimismo dos investidores diante de notícias de que o coronavírus pode estar perdendo força.
De acordo com dados preliminares, o Dow Jones subiu 0,94%, para 29.550,66 pontos. O S&P 500 ganhou 0,64%, para 3.379,36 pontos. E o Nasdaq teve alta de 0,9%, para 9.725,96 pontos.