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Ronco serve de alerta para infarto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Há quem trate como piada ou como sinal de sono pesado, mas o ronco, na verdade, pode ser um indício de problemas graves de saúde. O barulhão que costuma atrapalhar o sono de quem está por perto e prejudicar a qualidade de vida de todos aparece quando as vias aéreas ficam parcialmente obstruídas.

Os tecidos da faringe relaxam, a língua "desce" em direção à garganta, a boca abre e, aí, ocorrem vibrações sonoras. Mas, mais do que provocar barulho e incômodo, o ronco, em alguns casos, pode estar associado à Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (Saos), quando a obstrução das vias áreas é total e leva a pessoa a parar de respirar por alguns segundos, várias vezes em uma mesma noite.

Segundo especialistas, dependendo da intensidade da apneia, a predisposição ao desenvolvimento de doenças mais graves, como infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC), pode aumentar consideravelmente. Quem detalha as complicações relacionadas ao ronco e, mais especificamente, à Saos é o dentista bauruense Walter Silva Junior, que é diplomado pela Academia Americana de Odontologia do Sono, de Chicago.

"Embora, na maioria dos atestados de óbito, ainda conste a causa como infarto, hoje já temos laudos de morte confirmada por Saos", comenta ele, que possui 20 anos de experiência em Odontologia do Sono.

Silva Junior descreve que a apneia durante o sono é mais comum em pessoas obesas, que tendem a ter a musculatura do pescoço mais flácida e com depósito de gordura, o que contribui para a obstrução da passagem de ar. Quem faz uso abusivo de álcool ou de calmantes à base de benzodiazepínicos, substâncias que relaxam a musculatura, também é mais suscetível a desenvolver o transtorno.

"Em casos mais graves, o paciente chega a apresentar cerca de 100 episódios de apneia por hora. São situações em que todo o organismo fica com baixa oxigenação. O cérebro recebe um alerta, que faz a pessoa despertar e voltar a respirar", relata.

DESCOMPENSAÇÃO

O especialista explica que a interrupção da respiração por centenas de vezes descompensa o funcionamento do organismo. Quem sofre com o problema se torna mais predisposto a desenvolver outras complicações, como hipertensão, alterações cardiovasculares e diabetes.

Além disso, a fragmentação do sono, com oscilações constantes do estágio mais profundo para o superficial, pode resultar em problemas de memória, sonolência, dificuldade de concentração, cansaço e estresse, com repercussões negativas no convívio social e no desempenho escolar ou do trabalho.

"Muitas vezes, a pessoa não desperta completamente. E, mesmo quando acorda, pode não se dar conta do que realmente está acontecendo, o que retarda o início do tratamento adequado".

No Brasil, estima-se que somente de 5% a 8% dos pacientes com Saos recebam o diagnóstico correto, que é realizado por meio de exame denominado polissonografia. O procedimento serve para monitorar uma noite de sono do paciente, detalhando parâmetros como oxigenação, movimento dos olhos, batimentos cardíacos, ondas cerebrais e função muscular.

 

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