Esportes

Para 'cantar de galo'

Luis Felipe Carrion
| Tempo de leitura: 3 min

O XV de Jaú deu um passo importante para o seu futuro no último dia 28 de janeiro, com a permanência da empresa Head Soccer Brazil como investidora no clube e a confirmação da participação no Campeonato Paulista da Série B, a quarta divisão estadual. A parceria é o caminho para o Galo da Comarca se reestabelecer como um time competitivo no interior paulista, além de ser a única maneira de angariar fundos para disputar a Bezinha.

De acordo com o presidente do XV de Jaú, Rodrigo Paulino, profissionalizar a gestão foi a forma que o time encontrou para se tornar sustentável financeiramente e fazer diferente de boa parte dos clubes, que não têm condições de bancar sozinhos um time de futebol para a disputa da Série B.

"Pra fazer uma participação que o XV não seja protagonista acho que não vale a pena. Nós iríamos nos licenciar da Federação Paulista de Futebol e não disputar nenhuma competição em 2020 porquê a parceria ainda não estava fechada. Faltavam alguns detalhes que foram resolvidos e no dia 29 o XV confirmou a participação no Conselho Técnico da Federação", relata ao JC.

'SIMILAR'

O XV de Jaú passa por um processo de transição, na qual irá adotar o modelo de clube-empresa. Para isso, é necessário que um clube de futebol faça uma mudança em seu estatuto e esteja equalizado financeiramente, de acordo com as leis tributárias.

Parceira do time jauense desde o ano passado, a Head Soccer Brazil está assumindo a gestão do clube para auxiliar na solução desses problemas e permitir que a agremiação migre de uma vez para o modelo de clube-empresa, similar ao aplicado em Botafogo-SP, Ferroviária e Bragantino.

DESAFIADOR

As dívidas do Galo da Comarca totalizam aproximadamente R$ 15 milhões, segundo Paulino. Trabalhar com um clube de futebol nessa situação é uma tarefa muito mais difícil. "A dívida do XV possui penhoras em áreas do estádio. Penhoras trabalhistas, por exemplo, a gente não recebe a cota da Federação. Já existe penhoras em borderô de bilheteria. É muito difícil trabalhar nessa situação porque você conta com aquela previsão de receita e a qualquer momento, da noite para o dia, pode vir uma determinação judicial e aquele dinheiro que você previa ter você já não tem mais", explica o mandatário do clube.

O cenário descrito por Paulino é uma realidade não só do XV de Jaú, mas de vários times tradicionais do interior paulista que, sufocados por dívidas, ficam sem condições de manter o departamento de futebol profissional e se licenciam da Federação Paulista de Futebol. É o caso, por exemplo, do União São João de Araras, que chegou a disputar a Série A do Brasileirão nos anos 90 e atualmente encontra-se afastado das competições estaduais.

Para o presidente do Galo da Comarca, o investimento da iniciativa privada é a única maneira encontrada para ajudar a mudar esse cenário.

"Hoje, na segunda divisão (quarta divisão estadual), você não consegue grandes parcerias com o que se paga. Você consegue capitar diversos recursos, mas o que você capita não é suficiente nem pra custear um terço do que é necessário para a competição. Então, eu classifico como uma das únicas alternativas pra salvar o futebol do interior essas parcerias com a iniciativa privada e que haja investimentos tanto na parte de futebol quanto de estrutura", finaliza.

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