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De que valem as experiências?

Elaine de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Cheguei naquele número chamado de meia idade. Não curto muito essas classificações nem a maioria das categorizações (as caixinhas da vida), mas acredito que 88 seria um bom número para encerrar o jogo. Então, estou exatamente na metade da partida. Nessa fase a gente já fez um bocado de coisas. Já acumulou histórias boas e ruins - tanto na vida profissional como na pessoal. Já teve diferentes vivências laborais e já amargou algumas tretas para mostrar a que veio nessa jornada. Já tomou porres respeitáveis. Já amou pra caramba. E também já gastou bastante energia para se explicar a amigos, à família, à sociedade, a chefias... Muitas vezes para justificar atitudes que não foram bem aceitas pelo nosso entorno. E também para tentar convencer o outro de que o nosso ponto de vista, experiente (risos), é o melhor. Bobagem.

Essas vivências todas ensinam muito, é claro. Mas também trazem acúmulos que, não raro, se solidificam como autoimportância, como certeza de saberes cristalizados e numa teimosia própria dos "experientes". E acredite: nada é mais letal e com alto poder de envelhecimento precoce do que alimentar essas "qualidades". Se insistir na atitude, no alto da tal experiência, a pessoa pode se ver (e tomara que se veja mesmo a ponto de perceber) sendo arrogante, desfazendo das decisões alheias e até se esquecendo de que já teve 20 anos e muita criatividade desafiadora (e até bobinha, por que não? Faz parte do jogo!).

Então, a essa altura, a minha reflexão é bem simples: as experiências são individuais. Servem, em geral, para nos construir como tecido humano - vivo e pulsante. Mas devem, sem dúvida, nutrir nossa capacidade de olhar no espelho, usando todas as ferramentas já apreendidas, e ter a coragem de desconstruir tudo.

As experiências não servem para jogarmos na cara do outro o quanto já acumulamos. Elas são ouro puro da mão de quem é capaz de preservar tudo o que construiu com olhos e mente abertos para o devir, sem nenhuma necessidade de compartilhar seja lá o que for, porque sabe, no fundo, que experiências devem ser vividas - e bem vividas! Só isso. O resto é ilusão.

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