Se ele, um dia falasse,
quanta coisa, diria...
Se a voz não lhe faltasse,
em alto e bom som, até gritaria.
Como esse é o seu fadar,
impedido, tímido, temeroso, introvertido,
traduz, no seu calar,
aquilo que não tenho escrito.
Tu és fonte de vida, amigo censurado...
Queres falar, gritar, cantar, versejar,
porém, não podes. a ti, é vedado.
Abre-te, coração, ao mundo,
ao menos, escreve, a não bastar,
mostra, a todos, o quanto és fecundo!
Roberto Purini