Geral

Coronavírus: máscara começa a faltar

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

O temor da população em relação ao coronavírus já causa reflexos no comércio em Bauru. Em ao menos três estabelecimentos que comercializam produtos hospitalares, as máscaras de proteção respiratória estão em falta. O que se deve a uma corrida observada nas últimas semanas não só pela população em geral, mas por profissionais da saúde, do ramo alimentício, dentre outras ocupações que dependem da máscara para trabalhar.

"Teve gente que veio buscar para estocar, porque viu que poderia ficar sem para o trabalho. Atendemos gente do comércio de alimentação até tatuadores com receio da situação. Mas houve procura também de gente que iria viajar e queria se proteger", comenta a vendedora de uma loja na região central de Bauru, que está sem o produto há quase três semanas.

Ela e os outros vendedores pediram para não serem identificados.

Além de dezenas de atendimentos presenciais no balcão, a vendedora conta que tem recebido cerca de 40 ligações diárias de pessoas à procura da proteção.

"Não há previsão de chegada. E quem tem as máscaras para vender triplicou o preço", confirma outro comerciante também de um estabelecimento no Centro de Bauru.

De acordo com eles, o pacote com 50 máscaras cirúrgicas custava cerca de R$ 10,00 antes do anúncio do coronavírus. Agora, quem tem não vende abaixo dos R$ 30,00, em razão do desabastecimento. São máscaras de produção nacional, mas também chinesa.

'A 7 CHAVES'

Uma terceira loja do tipo na região do Altos da Cidade teve seu estoque de máscaras zerado nesta sexta-feira (28), no início da tarde.

"De quarta (26) até hoje (ontem), a coisa parece insana. São pessoas que estão na onda do coronavírus e acreditando que a apenas a máscara irá protegê-las. A média de venda era de duas caixas por dia. Vendemos 80, e 40 delas só hoje", cita o homem, que também pediu para não ser identificado.

Na opinião dele, os estabelecimentos poderiam ter agido com mais cautela e terem priorizado profissionais que dependem do produto. "Mas foi tudo tão rápido que nem deu tempo de pensar nisso. Conseguimos guardar três, que ficarão a sete chaves para urgências e familiares", comenta o vendedor.

USO SÓ RECOMENDADO

As máscaras não têm o uso recomendado para a população em geral. Conforme o médico infectologista, João Paulo Poli explicou, em entrevista ao JC nesta semana, apenas quem está com os sintomas de doenças ou quem irá atender casos suspeitos em unidades médicas é que deve usar a proteção.

Para a população em geral, o melhor é aumentar a higiene pessoal, lavando as mãos mais vezes ao dia e usando álcool gel, e seguir a etiqueta respiratória.

"A máscara protege parcialmente. Até porque o contágio pode ocorrer por gotículas de saliva ou secreção nos olhos e mucosas. É preciso higiene reforçada com as mãos, com água e sabão e, se possível álcool gel. Espirrar e tossir na dobra do cotovelo também é importante, se não houver lenço de papel", ensina.

Ao espirrar ou tossir, ou ter contato com alguém doente, a máscara deve ser descartada, pois pode virar fonte de infecção. "O vírus se impregna no tecido", alerta o médico.

Comentários

Comentários