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Uma questão de solidariedade

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

A história bombou. E é uma história do bem. Já foram cerca de 100 mil visualizações (isso só no Youtube, sem contar os compartilhamentos e outras plataformas) do post que Léo Áquilla, repórter da Rede TV, fez parabenizando o estilista Jeter Michelline, de Bauru, que a socorreu de um perrengue que passou bem às vésperas de iniciar a cobertura do evento no badalado Camarote Confraria no Anhembi. 

Uma história de solidariedade. É que simplesmente o profissional que iria fazer o traje de Léo Áquilla a deixou na mão. Sabendo do ocorrido, Jeter, que já a conhece desde quando ela esteve em Bauru, na Parada da Diversidade, em 2014, se prontificou em socorrê-la.

Até aí, tudo bem. Seria um favor de amigo. O que Jeter não esperava era o vídeo dela  agradecendo de público. Sob o título "Vem aqui irresponsável, ver como se faz" e "Estilista irresponsável não me impediu de ficar linda", ela conta a história e ainda fez uma "live" (entrada ao vivo) no seu canal oficial do Instagram para contar que estava recebendo o vestido trazido por ele "direto de Bauru". "Não vale a pena nem citar o nome da triste figura que mancou comigo, o que importa é essa pessoa, Jeter, que veio me socorrer, e mora a 300 quilômetros de distância", enfatizou ela. 

CORRERIA

Agora que a poeira abaixou, Jeter conversou com o Jornal da Cidade e contou como conseguiu confeccionar em tão pouco tempo um vestido de luxo. "O tecido eu tinha já do meu acervo. Paetê em strass em formato de franja, cravejado de brilhantes", conta. Apostei que as medidas dela ainda eram as mesmas. Jéter teve a oportunidade de fazer algumas peças para Léo e ainda vestiu parentes dela quando do badalado casamento de Léo em 8 de junho de 2016.

Para quem não sabe, o casamento foi um babado. Uma festa em São Paulo para mais de 500 convidados, com um custo estimado em R$ 700 mil e transmissão pelo programa SuperPop, apresentado por Luciana Gimenez, na Rede TV!. Aliás, programa onde Léo tem cadeira cativa toda semana.

"Para mim, o vídeo dela foi uma surpresa. E para confeccionar o vestido, uma correria. Confiei que as medidas dela seriam as mesmas e tudo daria certo. E tive que correr mesmo. Primeiro, porque eu assisti aos desfiles das Escolas de Samba de Bauru, no sábado, e cheguei em casa 5 da madrugada a tempo de terminar tudo e, na tarde de domingo, entregar para ela. E a repercussão foi demais. Ela fez o vídeo na hora da prova. Em menos de 1 hora a história já tinha 20 mil visualizações", foi demais, diz Jeter. Nesta sexta-feira, às 17h30 eram 167 mil. 

QUEM É JETER

Naquela noite, Jeter ainda assistiu ao desfile das escolas do grupo de acesso em São Paulo - "uma experiência indescritível e, se Deus quiser, o ano que vem vou assistir ao grupo especial" - e voltou correndo a Bauru para, na mesma segunda-feira, assistir ao segundo dia de desfile do sambódromo bauruense. Foi a primeira vez que viu o Carnaval de Bauru e achou "muito bom". "Claro que não há comparação com o de São Paulo, tem-se que guardar as devidas proporções, mas gostei muito". Até por afinidade com o Carnaval bauruense, uma vez que Jeter foi um dos jurados que escolheu a realeza do Carnaval da cidade. "Eu precisava mesmo assistir. Valeu a pena a correria."

Formado pela Unicesumar e atuante na área com foco em noivas e festas, Jeter é de Mato Grosso do Sul, nascido em Ivinhema, mas se criou em Penápolis, de onde saiu para estudar em Araçatuba e, após formado, fixou residência em Bauru. Aos 27 anos, tem seu ateliê em uma loja exclusiva de tecidos, na quadra 23 da rua Antônio Alves e conta que seu portfólio, na verdade, está nas redes sociais através dos trabalhos divulgados pelas suas clientes.

TALENTO PRECOCE

Jeter descobriu seu talento por volta dos 7 anos de idade, porque gostava mesmo é de desenhar vestidos de noiva. Adora Carnaval, gosta das passarelas, mas gosta mais do backstage (bastidores) e do prazer em vestir as pessoas para os momentos especiais. E o que espera agora que a fama, por assim dizer, bate à sua porta, uma vez que o post da repórter escancarou uma janela na sua vida profissional? "As coisas vão acontecer. Penso que tudo terá seu momento e eu gosto que a vida me surpreenda. Então, espero ser surpreendido". 

 

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