Coluna Animal

Castração, esterilização animal e guarda responsável


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Não existem lares para todos os cães e gatos que nascem. A responsabilidade pelas ninhadas é do tutor do animal e, no caso dos cães e gatos que estão nas ruas, a responsabilidade é de todos os seres humanos. Isso porque é a nossa espécie que tornou cães e gatos "domesticados", dependentes, cabendo, então, à espécie humana, administradora do Planeta, tomar decisões responsáveis para a segurança e bem-estar da sociedade, dos animais e manutenção do meio ambiente ecologicamente equilibrado. Pesquisa da USP nos mostra os níveis de nascimento de cães e gatos de 2004 a 2010. Tivemos 150% mais nascimentos de gatos que nascimentos humanos. No caso dos cães, a pesquisa aponta 60% a mais que nascimentos humanos. A Lei federal 13.426/17 e a Lei Estadual 12.916/08 estabelecem que políticas públicas de castração devem ser desenvolvidas pelos municípios. Em Bauru, temos dois programas de esterilização de cães e gatos, um da Secretaria do Meio Ambiente, que atende os munícipes de renda familiar de até três salários mínimos, castrando seus animais em clínicas conveniadas, e o programa da Secretaria de Saúde, com caráter de prevenção e controle de endemias, que esteriliza atualmente cães e gatos nas regiões do Vila Dutra e Santa Candida no Castramóvel.

O Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal fiscaliza o andamento dos dois programas e a Comissão de Defesa e Proteção Animal da OAB Bauru dá suporte nas ações educativas.

Sobre a castração, vejamos o que a médica veterinária Marina Rossini, nos explica:

A castração em fêmeas retira ovários e útero, o que evitará o cio e, consequentemente, gestações. Também evita doenças como a piometra, mucometra e hemometra, nas quais o tratamento envolve cirurgia de emergência, pois levará à morte caso não seja realizada. A chance de desenvolverem tumor de mama é muito reduzida, já que não se produzirá hormônios reprodutivos. E tanto em fêmeas quanto em machos castrados, também se evita o tumor sexualmente transmissível (TVT).

Já em machos, um dos métodos realizados é a retirada dos dois testículos. Evita-se tumor de próstata e também tumor de mama, além de diminuir ou mesmo evitar a demarcação de território. O pós-operatório tanto de machos quanto de fêmeas, é tranquilo, realizado em um período de sete dias, onde o animal deverá permanecer de colar elizabetano ou roupa cirúrgica, a fim de evitar problemas pós-operatórios.

Com relação a riscos, estes existem, porém, quando o animal está saudável, a castração é uma cirurgia segura, sendo ideal a realização de exames pré-operatórios, como hemograma. Muito importante realizar o jejum de 12 horas antes da cirurgia, seja em machos ou fêmeas, pois um animal que seja alimentado antes da cirurgia, além de complicar a anestesia, corre risco de morte caso vomite e aspire o vômito.

A partir dos 3 meses de vida já é possível a realização da cirurgia de castração, desde que o filhote esteja saudável e o médico veterinário apto ao protocolo anestésico e ao método cirúrgico. A castração, quando realizada antes do primeiro cio, a chance de desenvolver o tumor de mama é quase nula. O maior motivo para iniciar a castração de filhotes é devido ao aumento exacerbado de animais em abrigos e nas ruas.

Um animal castrado é menos estressado, fica mais tranquilo por não ter grande produção de hormônio para a perpetuação da espécie. Não sofrerá por nunca ter se reproduzido. Ele sofre muito mais quando não castrado e não ter com quem "cruzar".

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