As mãos calejadas do soldador aposentado Avelino Alves dos Santos, de 84 anos, dão origem a tapetes exuberantes. O idoso desenvolve atividades como esta no Centro Dia, uma espécie de creche da Vila Vicentina, em Bauru, há mais de uma década. "A Vila é o pai que nunca tive", complementa o homem, que é filho de mãe solteira.
Avelino tem residência fixa no Mary Dota, onde vive com a sua segunda esposa, mas passa a maior parte do tempo dentro da entidade. "Eu trabalho com artesanato e gosto demais, porque aprendi muita coisa, mesmo com a idade avançada", reconhece.
Segundo ele, a Vila mudou para melhor, principalmente, no que diz respeito aos cuidadores, psicólogos e assistentes sociais. "Vivenciei um momento difícil e, graças à instituição, consegui me recuperar", assume.
O aposentado, que chegou a Bauru em 2003, ficou viciado em jogos de máquina, mas conheceu uma pessoa que o encaminhou à Vila.
Natural de Caculé, na Bahia, ele saiu da sua terra natal rumo a Cafelândia, onde trabalhou na roça. Depois, se mudou para São Paulo e começou a atuar como metalúrgico até se aposentar.
Então, retornou ao Interior do Estado e, em Santa Bárbara D'Oeste, se casou novamente. Hoje, ele mora em Bauru, porque a sua atual companheira tem família na cidade.
ABRIGADA
Já a aposentada Marciana Dias da Silva, de 78 anos, demonstra estar a frente do seu tempo. Sem filhos por opção, ela vive na Vila Vicentina há pouco menos de dois anos.
A idosa nasceu no município mineiro de Fronteira. Em seguida, se mudou para Bandeirantes D'Oeste, onde se casou e se divorciou. Ela optou por viver em Bauru para ficar perto de uma irmã.
Porém, a idade avançada impediu Marciana de se virar sozinha, motivo pelo qual decidiu morar na Vila. "Eu gosto da entidade, que tem gente muito boa. Não conheço outra, mas duvido que exista alguma igual", conclui.