O período de chuvas fez ressurgir em Bauru velhos problemas envolvendo as bocas de lobo e a rede de galerias pluviais. Limpezas recentes realizadas pela Secretaria Municipal de Obras mostram que muitos bueiros viraram verdadeiras lixeiras pela cidade. A situação se complica já que a pasta conta com apenas cinco funcionários para dar conta deste tipo de serviço em todo o município.
Para piorar, a rede de galerias é antiga e insuficiente para aguentar a quantidade de enxurrada decorrente do crescimento do solo urbano. O resultado é o agravamento dos alagamentos. A prefeitura estima que Bauru tenha 7 mil bocas de lobo.
"Tem gente que joga mesmo lixo na boca de lobo. E tem outra situação também: quando chove forte, as sacolas de lixo que são deixadas no chão das calçadas são levadas para lá", comenta Sidnei Rodrigues, secretário de Obras.
"Acho que nem 80% das casas têm lixeira no alto e não há lei municipal que obrigue o morador a ter. Faço esse alerta às autoridades sobre a necessidade de uma legislação desde quando era diretor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma)", acrescenta o secretário.
Os trabalhos de limpeza e desobstrução realizados pelos funcionários da Obras ocorrem de segunda à sexta-feira, em horário comercial. Todos os dias, cerca de duas caçambas de lixo entre outros resíduos são retiradas dos bueiros.
Entulhos, madeiras, material de construção, terra, lixo reciclável, lixo orgânico, pneus e até sofás e uma carcaça de motoca foram recolhidos recentemente. A secretaria também realiza operações anuais na época de estiagem, entre junho e setembro, para tentar conter o avanço do lixo. Nesta época, a equipe ganha reforço de outros funcionários da pasta.
"Recebemos muitas reclamações o ano todo. Um diretor precisa percorrer os locais para verificar quais serviços são prioritários", detalha Sidnei.
GALERIAS
Se por um lado falta mais consciencialização da população, por outro é preciso mais investimentos por parte do poder público no manejo de água da chuva. A rede de galerias pluviais da cidade é insuficiente diante do avanço da zona urbana. Somente em 2005 a prefeitura passou a apostar em tubulações com diâmetros maiores. Ainda assim, a rede tem capacidade 60% abaixo da necessidade.
"Não existe uma norma técnica que direcione a questão da captação de água pluvial. Antigamente, a tubulação tinha o diâmetro muito pequeno", comenta o secretário. "Por isso que abrir o rio na avenida Nações Unidas não resolveria o problema do alagamento, por exemplo. Ali, a rede de quase todas as ruas na proximidade tem diâmetro insuficiente. Por isso alaga", completa.
Há dois anos, um plano de manejo das águas da chuva apontou que é preciso investimento de aproximadamente R$ 700 milhões para resolver as inundações e áreas de alagamento na cidade.
SERVIÇO
A Secretaria Municipal de Obras recebe pedidos de limpeza e desobstrução de bueiros por meio do e-mail obras@bauru.sp.gov.br e pelo telefone (14) 3235-1200.