A audiência pública sobre o projeto de lei que proíbe festas open bar em Bauru foi marcada por "queda de braço" nesta sexta-feira (6), na Câmara Municipal. O encontro contou com forte presença de lideranças evangélicas da cidade, que defenderam a necessidade do projeto. Do outro lado, alguns empresários do ramo e munícipes pediram respeito ao livre arbítrio e apontaram as festas clandestinas como o real problema. O projeto está na pauta da sessão desta segunda-feira (9).
A audiência convocada pelo vereador Ricardo Cabelo (Cidadania), que é contra o projeto de autoria do Coronel Meira (PSB), foi presidida por Miltinho Sardin (PTB) e também contou com a presença de Yasmim Nascimento (PSC), José Roberto Segalla (DEM), Luiz Carlos Bastazini (PV), Edvaldo Minhano (Cidadania), Sandro Bussola (PDT) e Natalino da Silva (PV).
Cabelo disse que "Bauru está proibindo demais" e foi aplaudido por membros da plateia.
Minhano e Meira destacaram que a lei ajudaria a combater o uso excessivo de álcool por jovens. "Não se trata de religião e moralismo. É um problema de saúde pública", citou Minhano. "O negócio comercial não deve prevalecer sobre a vida de alguém. Atendi muitos acidentes com jovens mortos envolvendo bebida", reforçou Meira.
Representante do Conselho Tutelar e a favor da medida, Casemiro Pinto afirmou que "mais da metade do público desses tipos de festas, open bar, é formado por adolescentes".
A servidora Luciana Perosso, que representou o secretário de Saúde, também foi favorável. "Festas dessa natureza estimulam o consumo excessivo, assim como um rodízio de carnes".
"São eventos que trazem perturbação do sossego e outros problemas", reforçou o capitão da PM Juliano Xavier, lembrando do universitário que morreu em festa open bar em 2015.
MAIS ESTUDOS
Secretária de Planejamento, Letícia Kirchnner disse que não há histórico de problemas quanto à fiscalização. "A principal queixa é pertubação do sossego, mas é algo que não se limita apenas a esse tipo de festa", pontuou.
Já Alexandre Zwicker, titular de Esportes e Lazer, apontou a necessidade de um estudo social de impacto dessas festas. Rick Ferreira disse apenas que a Cultura pasta não realiza esse tipo de evento e pediu suspensão de sua fala como empresário do ramo.
PASTORES
Ainda a favor do PL falaram os pastores Jean Carlos Garcia, do Conselho de Pastores Evangélicos (Conpev), Erika Vilella e Aguinaldo Silva. "Essas festas enchem os hospitais e as UPAs", disse Jean. "O jovem bebe até fazer valer o que pagou e pode acabar em acidente ou assédio sexual", reforçou Erika. "É um projeto que nem deveria ser discutido, pois cuida do ser humano", completou Silva.
CONTRA
Empresários do ramo rechaçaram a proibição e defenderam o livre arbítrio. "Creio na regulação. O Estado só se afasta da sociedade proibindo", citou Antonio Quadros.
Denivaldo Crepaldi esclareceu que as festas open bar autorizadas disponibilizam até transporte aos universitários. "As festas clandestinas eu concordo que devem ser combatidas, mas as regulares não", finalizou.