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Elas sabem como 'violar'

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Houve um tempo em que só homens "violavam". Eles continuam na ativa, claro. Quem é que não sabe? Mas elas nunca se intimidaram com o predomínio masculino. Elas "violam" bonito quando querem. É uma "violação" que só faz bem. Falo aqui das mulheres na viola. Uma delas, Adriana Farias, faz show no Sesc Bauru - justamente neste Dia Internacional da Mulher. Não dê bobeira por conta do horário: será logo às 11h e com entrada gratuita.

Paulistana, começou a tocar o instrumento aos 9 anos. Jamais parou. Se você não está ligando o nome à pessoa, Adriana é a apresentadora do "Viola, Minha Viola" na fase pós-Inezita Barroso (1925-2015). O icônico programa de música raiz perdeu o auditório e, por um tempo, Adriana tocou o barco sozinha, em estúdio, com convidados. A TV Cultura encerrou contrato com ela e, agora, nas manhãs de domingo, às 7h, o que vai ao ar são reprises dessa última fase. No ar ou fora do ar, Adriana não está sozinha no contexto do Brasil caipira. A jovem Carol Viola costumava aplaudir uma orquestra de violas com o pai na cidade natal dos dois, Descalvado. Carol, aliás, esteve neste ano no programa "Viva Viola", da TVC, em Bauru, com a parceira musical Dudah Cintra, de Ibiraci (MG). Outro exemplo está em Botucatu com uma quase xará dela: Karoline Violeira que, por Inezita Barroso, era carinhosamente chamada de "caboclinha".

Bruna Viola também é destaque nas dez cordas. Nascida em 1993, em Cuiabá, iniciou trajetória aos 11 e, hoje, tem um grande fã clube. Já Juliana Andrade, lá da "capitar paulista", mesma terra de Adriana, define-se como cantadora e defensora da cultura do campo.

Nunca é demais lembrar que desbravadora do caminho violeiro feminino foi Helena Meirelles (1924-2005). Nascida na pequena Bataguassu, Mato Grosso do Sul, Helena acabou sendo reconhecida fora do Brasil por seu domínio com o instrumento.

Bauru tem o Clube da Viola e muita gente dedicada ao ponteio. Para não cometer injustiças no cenário local, evito citar nominalmente. Sintam-se todos reconhecidos. Hoje, no entanto, mais elas do que eles. Adrianas, Carols, Brunas, Julianas, Karolines... Tiramos o chapéu.

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