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Coronavírus quase para São Paulo

Estadão Conteúdo
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São Paulo - Um sentimento de perplexidade e medo tomou conta do paulistano no dia em que a maior metrópole do País quase parou. Cerca de 90% do comércio de São Paulo obedeceu ao decreto que determinou o fechamento das lojas para tentar conter o avanço do novo coronavírus, conforme estimativa é da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras.

Esta sexta-feira, 20, foi o primeiro dia de vigência da norma. A Polícia Militar deu apoio pela manhã a fiscais da secretaria que fizeram verificação na região da Rua 25 de Março, centro de comércio popular de rua da cidade. Agentes das 32 subprefeituras fizeram blitze.

Quem circulou por São Paulo nesta sexta, que mais parecia uma tarde de sábado, com trânsito livre, viu várias pessoas caminhando protegidas. Umas usavam máscaras, luvas, outras nem tanto. Mas todas assustadas com o vazio das ruas e com a ameaça do inimigo comum e invisível: o novo coronavírus.

Na 25 de Março, só se viam lojas de portas fechadas. Poucas pessoas circulavam pela rua, mas por dever de ofício, como um carteiro que não quis ser identificado. "Não consigo entregar a correspondência, os prédios estão fechados", reclamou.

Ao longo da rua, funcionários da prefeitura encarregados de conter a ocupação dos camelôs, nem precisavam estar por lá, pois nenhum ambulante foi vender bugigangas. Consumidor mesmo, o que não falta normalmente na rua 25 de março, nesta sexta- feira era raro. Uma das poucas que circulavam era a influenciadora digital Mannu Macêdo, 28 anos. "Vim aqui comprar máscara."

E o vazio se repetia no pólo de comércio mais sofisticado de compras do País: o Shopping Iguatemi. O primeiro shopping center do País, local de gente que gosta de ver e ser vista, também parou.

A pandemia paralisou a rotina até dos velórios da cidade. No cemitério do Araçá, um aviso na entrada informava que os velórios só podem durar uma hora e ter até dez pessoas.

Ronaldo Albanese, jornalista, usando máscara, foi se despedir de uma tia. Enquanto os eventos seguem à risca as determinações, notou que tem muita gente que não está respeitando nada. "O trânsito está um pouco melhor, mas eu preferia ter um trânsito entupido, mas sem coronavírus."

 

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