O que era para ser férias tranquilas no Canadá virou pesadelo para uma jovem moradora de Bauru. Na última terça-feira (17) à noite, ela entrou para a lista da Secretaria Municipal de Saúde como paciente suspeita do novo coronavírus (Covid-19). Sem resultado dos exames até o momento, ela segue em isolamento social e conta detalhes sobre o atendimento e a rotina, citando, inclusive, seu maior temor: o contágio da família e de outras pessoas, em razão da demora no diagnóstico.
Trabalhadora da área da saúde, a jovem, que pediu para não ser identificada, conta que chegou do Canadá no dia 12 de março. Três dias depois apresentou os primeiros sintomas.
"Quando eu fui para lá (Canadá), o coronavírus ainda estava começando, os casos estavam mais na Itália. Não imaginamos que fosse ter essa extensão toda", cita.
Sobre os sintomas, ela conta ter sentido primeiro dor de cabeça e, no dia seguinte, passou a ter dor no corpo e febre. Dois dias depois, a tosse teve início e, diante da suspeita, procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Mary Dota.
"Os sintomas que tenho são como de uma gripe normal, que já tive outras vezes. Por isso, acredito que não seja coronavírus", frisa a jovem, contando que após seis dias do início dos sintomas já se sente melhor, mas ainda com tosse e muito indisposta.
ATENDIMENTO
Na UPA, ela disse que teve o atendimento priorizado e foi avaliada rapidamente pela médica e equipe, que estava paramentada com luvas e máscaras. "Eu liguei na unidade antes para tirar dúvidas e eles me receberam preparados", detalha.
Lá, ela conta ter passado pelo recolhimento de material biológico (feito por meio da laringe) para exame laboratorial de Covid-19. Preencheu um grande formulário com suas informações e também de sua família, com quem mora na região do Mary Dota.
Apenas a jovem recebeu atestado para faltar ao trabalho, o que causou estranhamento, já que mora com a irmã de 18 anos, o pai de 47 anos e a mãe de 55 anos. O atestado traz a "cid B 34.2" (infecção por coronavírus de localização não especificada).
"Disseram que eles só receberiam atestados se apresentassem sintomas. Eu fiquei bem preocupada com isso, porque eles trabalham no comércio e são empregados, não podem faltar. Por enquanto está todo mundo bem aqui, mas e se eu realmente tiver a doença? O risco é grande para eles e também para as outras pessoas", critica.
Questionada, a Secretaria Municipal de Saúde disse que não emite atestados para familiares em caso de paciente suspeito e que apenas realiza orientação quanto às regras do isolamento social.
CIRCULAÇÃO
A jovem conta que tem passado quase o dia todo em seu quarto e só sai para comer e tomar banho. E que também foi orientada a não ter contato com animais de estimação.
"Minhas roupas são lavadas separadamente, assim como copo, talheres... estou aproveitando esse tempo para descansar e me recuperar. E também para planejar melhor a minha vida e estudar outras línguas, como o francês", comenta, acrescentando que não enfrentou situações de preconceito e tem recebido mensagens de carinho dos amigos.
A demora do resultado do exame laboratorial, feito na Capital, contudo, é sua principal preocupação no momento.
"Falaram que o resultado sairia em 48 horas, depois passou para 72 horas, agora a previsão é de uma semana. O atendimento inicial foi ótimo, mas a parte burocrática, de confirmação, demora muito. Estou ansiosa para que tudo isso acabe logo", finaliza a jovem em tom de apreensão.