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Fazer álcool em gel é ineficaz e perigoso

FolhaPress
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São Paulo - Dois ingredientes, um custo muito menor e o mesmo resultado. Essa é a promessa de vídeos e tutoriais da internet sobre o álcool em gel caseiro que, na propaganda, seria tão eficaz quanto o industrial como método de prevenção ao coronavírus.

Segundo a ferramenta de métricas online Google Trends, a busca por "como fazer álcool em gel" cresceu mais de 50.000% na última quinta-feira (19). Na terça (17), a atriz Maitê Proença publicou um vídeo nas suas redes sociais ensinando a fazer o produto. O vídeo havia tido mais de 70 mil visualizações até a publicação desta reportagem.

Contudo especialistas alertam para o fato de que o álcool em gel feito em casa pode não só ser inútil para assepsia como também pode ser prejudicial à saúde e causar acidentes graves.

Nos vídeos na internet, não há consenso acerca das proporções ou sobre qual tipo de álcool pode ser utilizado. Maitê Proença, por exemplo, diz que se pode usar qualquer um que se tenha em casa. "Lógico que, quanto maior o percentual [de concentração], mais ele te protege."

A maioria escolhe uma porção de gel de cabelo transparente para quatro de álcool líquido 70% concentrado, o chamado álcool 70.

Criticada por dar a receita caseira a atriz defendeu a fabricação em um segundo vídeo. A reportagem procurou sua assessoria de imprensa, mas não obteve resposta.

A professora Suzan Pantaroto de Vasconcellos, do departamento de ciências farmacêuticas da Unifesp, explica que, além de o produto para cabelos carregar diversos ingredientes que não servem para higienização e que podem danificar a pele, a manipulação caseira dos ingredientes pode causar contaminação, além de não ter como garantir a concentração correta do produto final.

"O álcool 70 não tem essa concentração por nada; é a concentração em que o álcool entra na célula microbiana, a bactéria ou vírus, é como ele adentra na parede celular para ser efetivo como antisséptico. Com concentração superior, ele não consegue quebrar barreira da célula. Se estiver abaixo, não é mais antisséptico, só desinfetante", explica.

A mistura com o gel de cabelo pode também gerar reações químicas e subprodutos prejudiciais à pele, afirma a diretora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Primavera Borelli.

O produto industrial, explica ela, usa um neutralizante de PH. Segundo a professora, reações químicas entre o álcool e o polímero podem gerar diferentes PHs. "E usa-se um polímero puro, não tem outras substâncias. Adicionalmente se coloca uma substância que evita o ressecamento da pele", explica.

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