Tribuna do Leitor

A gripe espanhola e o coronavírus

Abel Fernando Marques Abreu - Jornalista, delegado de polícia aposentado, conselheiro titular da Associação Beneficente Portuguesa de Bauru
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Como o tema da atualidade é a pandemia do coronavírus, divulgada à exaustão por todos os meios de comunicação, entendo que o assunto a seguir vem encaixar-se na atual situação por todos vivida. Manoel de Almeida Brandão, então presidente da Beneficência Portuguesa de Bauru, cujo mandato iniciou-se a 1/07/1918, viveu o período da epidemia chamada de "Gripe Espanhola", que assolou o mundo, tornando-se um mal mortal que ceifou muitas vidas preciosas, transformando-se, desgraçadamente, numa pandemia do vírus influenza que se espalhou por quase toda parte. Foi causada por uma virulência incomum e frequentemente mortal de uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1.

Naquela época, inicialmente, a Beneficência deu atendimento prioritário aos seus sócios e depois quando o surto dessa doença infecciosa ganhou o ápice local, ofereceu a sua sede para hospital de isolamento da Prefeitura Municipal, onde os atacados pelo terrível mal foram socorridos e atendidos prestimosamente.

A morte se fazia constante e atingia grande parte das casas bauruenses.

Sendo assim, o gesto de benemerência comunitária oferecido e praticado pela Beneficência Portuguesa foi altamente reconhecido pelo poder público e em agradecimento o dr. Octávio Pinheiro Brisolla, nesta altura exercendo as funções de prefeito municipal, assim se expressou, conforme consta da ata de 24/12/1918:

"Bauru, 24 de dezembro de 1918

Ilmo. Sr.

José Ribeiro da Silva

MD. Secretário da Sociedade Beneficente Portuguesa

Saudações Afetuosas.

Estando por completo extinta nesta cidade a epidemia de gripe que durante quase dois meses reinou preocupando todos os espíritos, venho penhorado agradecer à filantrópica Sociedade Beneficente Portuguesa, por ter cooperado grandemente com esta Prefeitura no duro combate aquela epidemia, cedendo o edifício de sua sede para nele ser instalado o primeiro hospital provisório destinado a receber os doentes atacados de gripe. Com os meus sinceros agradecimentos é-me grato fazer sentir a minha admiração por essa humanitária sociedade, guiada para fins nobilíssimos e sempre solícita à prática do bem e da caridade.

Apresentando os meus votos para que essa ilustre sociedade prospere e veja coroados de êxito os esforços dos distintos cavalheiros que a dirigem e compõem, sirvo-me da ocasião para apresentar-vos os meus protestos de grande estima e elevada consideração".

Octávio Pinheiro Brisolla

Prefeito Municipal"

Resta saber: atualmente, prevendo-se o grande mal que a pandemia provocada pelo coronavírus causará a muita gente, alguma entidade de saúde particular, radicada na cidade, pensando no coletivo, colocou-se à disposição do município para enfrentar o terrível mal que se avizinha?

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