A pandemia da Covid-19 impôs uma nova rotina para a vida da população: ficar dentro de casa. Contudo, com o passar dos dias, é perceptível que parte dos bauruenses tem relaxado com essa medida. Em diferentes pontos da cidade, já é possível notar que as pessoas estão saindo sem ser para atividades essenciais.
Na tarde desta quinta-feira (2), a reportagem esteve em alguns locais para conversar com essas pessoas. Os motivos são variados, mas a justificativa é quase sempre a mesma: aliviar o estresse. Já a recomendação para que as pessoas fiquem em casa foi firmemente reforçada pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta e pelo secretário de Saúde, Sérgio Henrique Antonio (leia mais ao lado).
Pelo Núcleo Geisel, dois homens, de 63 e 78 anos, conversavam à sombra de uma árvore em uma praça. "É só o que temos para fazer. Uma forma da gente sair de casa. Mas, onde tem aglomerações, nós não vamos", argumenta o mais novo deles.
Em uma das ruas abaixo deste ponto, uma partida de dominó alegrava a tarde de um grupo com cinco pessoas, em frente à casa de um morador do bairro, de 53 anos. O mais velho dentre eles, com 59 anos, conta que ainda faz alguns bicos como jardineiro e, depois, se junta aos amigos.
Em outro ponto da cidade, no Mary Dota, a avenida Dr. Marcos de Paula Raphael estava movimentada. No local, há serviços essenciais como bancos, farmácias, pet shops e alimentação. "Eu e minha mãe estamos há três dias sem sair de casa. Agora, fomos ao banco. Mas, quando a gente sai, percebemos que nem todo mundo tem levado à sério", afirma uma jovem, de 24 anos.
PARA SE EXERCITAR
Locais conhecidos como "points de exercício" continuam recebendo, ainda que em menor quantidade, pessoas que se queixam do estresse causado pela quarentena. No Parque Vitória Régia, por volta das 17h, um homem de 42 anos caminhava como tem feito nas últimas tardes. "Não estou trabalhando e é muito difícil ficar em casa constantemente. Sempre que preciso sair para ir à padaria ou ao mercado, aproveito para caminhar um pouco mais. Nos finais de tarde, como moro aqui por perto, venho para o Vitória", diz.
Outros dois amigos, de 30 e 36 anos, faziam exercícios no parque com bola e aparelhos. "É um jeito de continuarmos treinando sem aglomerações", fala um deles. Também por ali, mãe e filho faziam piquenique e brincavam em cima de uma toalha estendida no gramado. "A gente sabe que não pode sair, mas tem dias que não tem como. Ele tem 4 anos, acaba ficando estressado. Então, resolvi trazê-lo ao ar livre", diz a mãe, de 30 anos.
ATÉ CERVEJA
A Getúlio Vargas também está muito frequentada. "Neste horário, sempre teve mais movimento do que agora, acredito que as pessoas estão evitando sair de casa. Eu aproveito para respirar e fazer caminhada para minha saúde", disse um morador das proximidades, de 57 anos, que caminhava por lá.
E teve até reencontro de amigos na Getúlio. "Eu e o meu amigo saímos para passear com o meu cachorro, que estava já há muitos dias em casa. Eu sou agitada e é bastante difícil esse tempo. Passando por aqui, encontrei com outros amigos", diz uma jovem, de 21 anos.
Inclusive, esses amigos, de 22 e 23 anos, resolveram sentar na Praça da Copaíba para tomar cerveja. "Saímos para passar o tempo e tomar uma cerveja fora de casa", finaliza um deles.