Tribuna do Leitor

Amor ao próximo ou autoamor?

Carla R. Fontes Cardoso
| Tempo de leitura: 1 min

Há quase 4 meses, a vida mudou. Não há mais aquela liberdade, aquela leveza no viver, é chegado o momento de, senão reaprendermos, ao menos repensarmos tudo o que entendemos por vida.

Estamos vivendo tempos de amor ao próximo ou de autoamor? "Fique em casa e você estará sendo solidário pois, mesmo não fazendo parte do grupo de risco, estará dando uma prova de amor aos demais."

Contudo, ao nos isolarmos, mais do que uma prova de amor ao próximo, estamos, na verdade, praticando um exercício intensivo de autoamor. Nesse momento, temos somente a nós.

Eu sou minha única companhia e você só tem você. É chegado o momento, portanto, em que não temos escolha: ou amamos nossa própria companhia ou estaremos passando por um verdadeiro flagelo neste tempo de isolamento social.

Desta forma, o momento é de amor ao próximo ou de autoamor?

Pode-se dizer que uma forma se contrapõe à outra? Será que pela primeira vez o amor se impôs como única resposta?

Pertencemos a um todo indivisível, onde o amor, ou qualquer outro sentimento que se alimente, vai e volta a todo instante?

Talvez tenha chegado a hora de vivermos verdadeiramente aquilo que já dizia Jesus: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo" (Marcos 12:31).

De qualquer forma, o que se percebe é que o amor se mostra uno e indivisível: ao dar ao próximo, retorna a mim.

Em outras palavras: dando amor, desenvolvo o autoamor, logo, a diferenciação entre "dar" e "receber" perde a relevância, provando a unidade do amor.

 

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