Articulistas

Delírios do isolamento

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Eu quero é a Curva da Jurema, a Ilha do Socó, o Píer de Iemanjá. Visitar a Ponta das Canárias, Abraãozinho, Carnaubinhas e Sardin. Por enquanto não dá.

Não dá, mas é de graça desejar Pitangi, Camurupim, Cotovelo e Cunhaú. Passar por Gravatá, desafiar Tramandaí. A pé por Imbé, sob o sol de Mariluz ou Moreré. Se for a sina, nada de amarras em Imara, Pinho e Pina.

Para refletir, Espelho. Juntar os cacos, Canoa Quebrada. Por proteção, Guarita ou Guarda do Embaú. Mergulhar sem medo em Buracão. Andar com fé por Santo Cristo e Aparecida. Tudo azul em Amaralina.

Interagir em Bonete, Couves, Patacho. Um tanto mais em Lagoinha, Zimbros e Mariscal. Cansar em Cachadaço, Cabeçudas, Caburé. Ilimitar-se em Armação. Seguir até Brava, Mansa, Azeda: convidativas (cada uma ao seu jeito e "temperamento").

Trincheira viria bem na guerra de agora. Refúgio talvez esconda segredos que adiantem as horas. Para logo termos verão em Grumari, Ipanema, Arpoador. E será animal em Foca, Tartaruga, Gaivotas, Sereia.

Descobrir, enfim, Farol, Encantados, Brejatuba. E repousar em Mel, Milagres, Paraíso. Aliás, algo é comum a todas, o que a todas torna Paraíso: o céu. Belo e refletido num mar que limpa os males do mundo.

Por enquanto não dá. Mas, em breve, essa imensidão vai abrir os braços. Como o Redentor no Corcovado, de onde contempla praias e arquiteta soluções para o nosso penar. Ele jamais ficaria de braços cruzados.

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