Bruxelas - Os chamados "passaportes de imunidade" não devem ser usados como estratégia para flexibilizar as quarentenas contra o coronavírus, afirmou a OMS em novo relatório técnico, publicado na noite desta sexta (24). O documento, que revê 20 estudos científicos, diz que "não há evidências de que as pessoas que se recuperaram de Covid-19 e tenham anticorpos estejam protegidas contra a segunda infecção".
O risco é que pessoas com resultado positivo no teste passem a ignorar conselhos de saúde público, por se considerarem imunes a uma segunda infecção. "O uso de tais certificados pode, portanto, aumentar os riscos de transmissão continuada", conclui a recomendação técnica.
Os "passaportes de imunidade" seriam baseados em testes para medir anticorpos (produzidos pelo corpo para combater e vencer um invasor) específicos para o coronavírus. A OMS ressalta que a imunidade a um patógeno é um processo que envolve várias reações do organismo, em geral ao longo de uma ou duas semanas. Ao ser infeccionado por vírus, o corpo responde imediatamente com células chamadas de macrófagos, neutrófilos e células dendríticas retardam o progresso do vírus e podem até impedir que ele cause sintomas. Essa resposta é inespecífica, ou seja, é a reação a qualquer vírus invasor. Em seguida, o corpo produz proteínas chamadas imunoglobulinas, os anticorpos, que se ligam especificamente ao vírus.
O corpo também produz células T que reconhecem e eliminam outras células infectadas pelo vírus. Isso é chamado de imunidade celular. Essa resposta adaptativa combinada pode eliminar o vírus e, se for forte o suficiente, pode impedir a progressão para uma doença grave ou reinfecção pelo mesmo vírus.
Esse processo é frequentemente medido pela presença de anticorpos no sangue. Segundo a OMS, a maioria dos estudos feitos durante a pandemia mostra que as pessoas que se recuperaram da infecção têm anticorpos para o Sars-Cov-2 (nome do novo coronavírus). No entanto, algumas pessoas têm níveis muito baixos de anticorpos, o que pode indicar que as outras reações inespecíficas também podem ser críticas para a recuperação.